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MARÇO MÊS DA MULHER

08/03/2022 às 22h47 Atualizada em 09/03/2022 às 00h32
Por: Redação
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MARÇO MÊS DA MULHER

Professora Renata Saggioro Silva

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Março é um mês de comemorações ou de reflexões sobre a condição atual da mulher? O que temos a comemorar? Quais conquistas e desafios você enxerga na nossa sociedade?

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1. Perdoe sua MÃE.

2. Reconcilie-se com sua IRMÃ.

3. Ouça sem julgamento a sua FILHA.

4. Ensine seus FILHOS a honrar e respeitar as MULHERES

5. Dê bom dia para aquele VIZINHO que você evita de manhã.

6. Faça as pazes com o AMIGO do qual você se distanciou.

7. Busque a sabedoria das MULHERES IDOSAS.

8. Gere sinergias e não distâncias com seus COLABORADORES.

9. Expresse-se positivamente sobre OUTRAS MULHERES.

10. Perdoe VOCÊ, Cure VOCÊ, Respeite VOCÊ, Abrace VOCÊ, Ame VOCÊ...

 PORQUE A MULHER QUE TRABALHA POR SI MESMA, QUE APRENDE A HONRAR A SI MESMA E A HONRAR AS OUTRAS MULHERES..., A SE RESPEITAR E A RESPEITAR AS OUTRAS MULHERES... E A SE RECONCILIAR COM OUTRAS MULHERES ATRAVÉS DO AMOR, NÃO PRECISA LUTAR POR NADA NEM POR NINGUÉM, PORQUE ELA JÁ GANHOU TODAS AS BATALHAS...

 -K.  Castelar- Por @despertarodivino

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Não é à toa que o Brasil está em 5º. Lugar no ranking do feminicídio mundial, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) e essa é uma posição da qual devemos nos envergonhar. Estamos entre os cinco países que mais matam mulheres porque o Brasil ainda é extremamente machista, conservador e patriarcal, assim como outras nações que ainda matam mulheres. Vamos analisar alguns pontos sobre o assunto. Vem comigo nessa análise.

“Mulheres não são objetos, não são enfeites, não estão aqui para agradar ou servir”,  diz a personagem do filme “Mulheres ao Poder”. A mulher sempre sofreu e sofre uma pressão imensa da sociedade: precisa casar e ter marido, ter filhos, trabalhar fora, ser boa cozinheira, boa faxineira e ainda ser “prendada”. Essa foi uma maneira da sociedade controlar as mulheres: mantê-las ocupadas com a casa, os filhos e tudo o mais. Hoje em dia, além de tudo, ainda ganharam funções extras: trabalham fora e pagam as contas. As mulheres NÃO têm que dar conta de tudo, não têm que servir ou agradar, devem sim é ser felizes. Reproduzo abaixo as palavras de Rose Kareemi Ponce:

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“Nem sempre as guerreiras dão conta de tudo.

Às vezes nas batalhas da vida elas se machucam.

Cansam.

Se esgotam emocionalmente.

Então entra em cena a rezadeira

Ela pega nossa guerreira nos braços e segue jornada com a força do rezo...

Segue os rastros de luz, deixados por todas as mulheres que vieram antes e apenas vai...

Nos ombros, a guerreira repousa. Muitas vezes chora silenciosamente... não por vergonha, mas por cansaço!

Nem sempre as guerreiras dão conta...

Nem sempre...

E está tudo bem.

Não precisamos dar conta de tudo o tempo todo.

Sequer precisamos dar conta de tudo.

Basta respirar e se permitir o colo.

Basta respirar.

Se permitir Colo! 

Aguyjevete

 

Rose Kareemi Ponce

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“Lugar de mulher é onde ela quiser”, preconiza o livro de Patrícia Lages, que aborda o empoderamento e o empreendedorismo feminino. Li um outro livro certa vez (não me recordo o título) que explicava, cientificamente, o funcionamento do nosso cérebro. Dizia que há milênios atrás, o homem precisava caçar enquanto a mulher precisava cuidar da caverna, dos filhos e do seu espaço. Acontece que, naquela época, os homens (como ainda hoje) tinham  força muscular muito maior, e por este motivo eram os responsáveis por este trabalho duro, pesado e que exigia literalmente “força bruta”. Para focar na caça, deviam ter o olhar e a mente fixos na presa, para saber o melhor momento de atacar, o melhor ângulo para fincar a flecha ou a melhor posição para saltar no bicho e abatê-lo. Era a única maneira de sobreviver naquele momento: caçar para se alimentar e alimentar sua família. Enquanto isso, as mulheres, ao cuidar do espaço (lar), dos pequenos (filhos ou seres mais frágeis da comunidade), precisavam fazer muitas coisas ao mesmo tempo: observar se predadores se aproximavam, limpar o espaço, plantar e colher... Tudo isso exigia que a mente trabalhasse com muitas variáveis, ou seja: usar os dois lados do cérebro ao mesmo tempo, realizando várias tarefas. Acontece que nosso cérebro permaneceu, biologicamente, da seguinte maneira: no geral, o sexo masculino foca numa ação e, geralmente, faz uma coisa de cada vez (observe um homem assistindo TV, não consegue responder a uma questão simples), enquanto o sexo feminino faz várias coisas ao mesmo tempo: dirige passando batom (não recomendado), faz comida cuidando dos filhos, entre tantas outras tarefas (muitas vezes de salto alto). Porém, estamos em constante evolução: como nosso cérebro é elástico, tanto os homens podem treinar e conseguir realizar várias tarefas ao mesmo tempo, quanto as mulheres podem conseguir focar numa só. Basta que ambos queiram e “treinem” pra isso.

“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” – essa é uma fala bastante machista. Proclama de forma velada que a mulher pode apanhar, ser espancada, estuprada, violentada física e psicologicamente, e ninguém precisa fazer nada, nem se intrometer, nem chamar a polícia. Este é um dos motivos pelos quais tantas mulheres se calam frente à violência sofrida, porque não há quem as defenda, quem as proteja, quem as socorra. É uma das principais razões pelas quais o Brasil se mantém como um dos países que mais mata mulheres: as mulheres (em sua maioria) AINDA não se protegem, não se perdoam, não se unem. Hoje em dia existe uma lei recente que “obriga” os CONDÔMINOS a denunciarem casos de violência doméstica. Ufa! Demorou! E se fosse você, sendo enforcada, perdendo o ar, sem poder gritar ou pedir ajuda? E se fosse sua mãe, espancada, sua filha? Você acha certo ela ter que se defender sozinha? Se alguém ouve o vizinho espancando a vizinha, não importa se ela é criança, mulher adulta, ou idosa, NÃO DENUNCIAR PODE SER CRIME DE OMISSÃO DE SOCORRO (pois quando você não denuncia, significa que está sendo conivente, e está deixando um inocente sofrer). É ótimo que catorze Estados Brasileiros já aderiram à essa lei. Qualquer pessoa pode fazer a denúncia anônima (180) e salvar uma vida. 

“É de pequenino que se torce o pepino”. Grande parte das famílias ainda cria seus filhos segundo o modelo clássico em que meninas brincam de boneca e cuidam da casa enquanto meninos brincam de carrinho podem ficar à toa, no vídeo game, se divertindo com os amigos, ou apenas estudando. São famílias resultantes dessa sociedade machista, em que as mulheres tinham a sobrecarga da casa e os homens eram os provedores do dinheiro. Quando digo “machista”, me refiro a mulheres machistas também, que não conseguem enxergar a dignidade e o direito das pessoas, como SERES HUMANOS, independentemente de serem homens ou mulheres.  Mais tarde, quando os meninos se tornam homens que não ajudam a cuidar dos filhos ou da casa, são as primeiras a reclamar. Tarefas domésticas são para todos: cuidar da casa, dos filhos. Trabalhar fora é para todos que precisarem, que quiserem, que puderem, não é função única e exclusiva de homens. Dirigir é para todos aqueles que têm condições físicas, emocionais e psicológicas. Não importa o gênero. 

“Feministas de merda!” – escutei várias vezes esta frase retrógrada e ignorante. São pessoas que não compreendem a luta das mulheres por direitos iguais, por dignidade e respeito. Esse é o objetivo. Quem não entende isso, é porque foi criado no machismo e no patriarcado, ainda acredita que o homem tem que mandar, pela força bruta, e a mulher tem que cumprir, obedecer, servir. 

O deputado Artur do Val, ao ver as mulheres ucranianas em situação de guerra, em áudio vazado pelos amigos do futebol, ao invés de se compadecer por aquela situação afirmou: 

“Elas são fáceis porque são pobres”. Não vou tecer maiores comentários. Peço ao leitor que mentalize o que você acharia se ela se direcionasse a alguém de sua família em situação parecida. É difícil até mesmo estabelecer quais os limites éticos foram feridos nessa afirmação.

Estamos todos respeitando as mulheres a nosso redor? Como as tratamos?  Esposa, filhas, avós, tias, vizinhas, amigas, irmãs, amigas, namoradas? E os filhos, são ensinados a respeitar ou “usar e abusar” das mulheres? Estamos garantindo, dentro de casa, direitos e deveres iguais aos meninos e às meninas?

Que tenhamos mais respeito, dignidade, amor, menos preconceito, menos machismo, menos feminicídio e não só no dia da mulher, mas sempre! “A libertação das mulheres é a libertação do mundo!” (Filme “Mulheres ao Poder”)

QUER SABER MAIS?

Diversidade e Respeito. Vivian Paula Viegas. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=vRU-wOcylWo 

Ranking do feminicídio mundial. Disponível em https://www.pomeranafm.com.br/projeto-em-saloes-de-beleza-capacita-profissionais-a-ajudar-mulheres-que-sofrem-violencia-domestica/ranking-feminicidio/ 

PEREIRA, Flora Maria Brito. Lugar de mulher é onde ela quiser? Disponível em https://www.justificando.com/2020/07/15/lugar-de-mulher-e-onde-ela-quiser/ 

Quem é Arthur do Val, deputado de SP que afirmou que ucranianas 'são fáceis porque são pobres' Disponível em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/03/05/quem-e-arthur-do-val-deputado-de-sp-que-afirmou-que-ucranianas-sao-faceis-porque-sao-pobres.ghtml 

Agora é lei: condomínios são obrigados a denunciar violência contra mulher, idosos e crianças. Disponível em https://www.geledes.org.br/agora-e-lei-condominios-sao-obrigados-a-denunciar-violencia-contra-mulher-idosos-e-criancas/?gclid=Cj0KCQiA95aRBhCsARIsAC2xvfwHGUFFusIPBzFBzhwdxKRCDFUyOa-FB0jfcfEOQ2aMYXB0cCQf_VMaAuzEEALw_wcB 

IMAGENS:

Imagem 1: https://www.instagram.com/p/CawrMxVOf1E/ 

Imagem 2: https://www.brasildefato.com.br/2021/11/03/atendimentos-de-violencia-domestica-no-rio-grande-do-sul-aumentam-70-nos-ultimos-12-meses

 

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Professora Renata Saggioro Silva
Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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