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Não gosto de cientistas

10/02/2022 às 21h41
Por: Redação
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Texto do professor Ivo Franco

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Dizer que a ciência é ruim é o mesmo que dizer que o oxigênio que respiramos não serve de nada. Você concorda? Reflita sobre as sábias palavras do nosso querido professor Ivo Franco, e tire suas próprias conclusões. 

Professora Renata Saggioro Silva

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“Não gosto de cientistas, pois eles criaram a bomba atômica”. Aplausos. A plateia ovacionou de pé essa proposição. Isso teria ocorrido num suposto Congresso e a mencionada assertiva causou enorme euforia na animadíssima claque. Caro leitor, confesso que não me lembro onde ocorreu o fato e se soubesse também não diria, pois só nos interessa aqui a frase em si. Precisamos analisá-la melhor.

O palestrante em questão, se não gosta de cientistas, poderia começar arremessando Nicola Tesla ao longe, juntamente com o microfone que permitiu dizer tamanha barbaridade. Com ele, todos os outros que também ajudaram a descobrir os usos da eletricidade: Faraday, Ampère etc. Quando chegasse em casa, deveria abrir mão das comodidades modernas, de ouvir rádio, assistir TV, usar um telefone... nada disso! Nem Código Morse teria existido!!

Em seguida, não poderíamos nos esquecer da questão da saúde. Lá se vai mais de um século desde que, acidentalmente, Alexander Flemming descobriu a penicilina e outros desbravadores como Louis Pasteur, Edward Jenner colaboraram, respectivamente, com a descoberta dos micróbios e das vacinas. Para alguém que não gosta nem de ciências ou de cientistas, não restariam muitas alternativas a não ser o que faziam antes do século XIX quando ficavam doentes: esperar passarem os sintomas ou morrer. Nada de remédios, uma vez que estes são inegáveis criações dos homens da ciência.

  Ainda faltaria renunciar a Santos Dumont e deixar de viajar de avião. Esquecer das descobertas de Karl Benz e deixar de andar de carro. Acredito que nem roupas poderia usar quem pensasse assim uma vez que, hoje em dia, as roupas são produzidas por máquinas. Bem, se considerarmos a descoberta do fogo como ciência, a protagonista em questão morreria de fome. 

A bomba atômica é um efeito colateral da descoberta da fissão nuclear e do trabalho brilhante de Albert Einstein, contudo, mais do engenho dos cientistas americanos do Projeto Manhattan do que do cientista alemão. A energia nuclear representa o futuro das matrizes energéticas no mundo, pois não podemos esperar que as hidrelétricas continuem suprindo a demanda. Há um grande preconceito com a energia nuclear, principalmente depois de acidentes como os de Fukushima e Chernobyl mas, em termos estatísticos, podemos assegurar que, apesar dos mencionados problemas, trata-se de uma forma relativamente segura de produzir energia, além de ser limpa e barata. 

A ciência não representa problema nenhum e sim solução. Quantas vidas foram salvas por ela durante as grandes guerras, durante as grandes pandemias e epidemias pelo mundo afora (inclusive a da Covid-19)? O que nós seres humanos e em especial a comunidade científica precisamos problematizar é acerca dos limites que devemos respeitar em nossas explorações. A palavra chave aqui é a ética. Devemos urgentemente estender a todo povo o debate sobre a ciência e seus limites éticos. Deve haver uma ampla discussão na sociedade.

Algo tão ruim quanto a declaração que dá o título a esse texto é não dar ouvidos aos cientistas sérios e isso tem sido recorrente nos últimos anos. Apesar dos esforços de grandes figuras tais como Jonas Salk e Albert Sabin já terem ocorrido há tanto tempo, em pleno século 21, contamos com o movimento antivacina, baseado em proposições duvidosas e notícias falsas. A tremenda quantidade de informações da internet parece ter servido em muitas ocasiões para confundir (desinformar, iludir) o povo, uma vez que, desprovido de um sistema de ensino que permita acompanhar as mudanças de maneira consciente, o sujeito acaba mergulhando numa terrível confusão. Que dizer daqueles que afirmam que as constantes emissões de CO2 não estão fritando o planeta gradualmente?

Não devemos negar a ciência, tampouco ter raiva dela. É claro que esse campo do conhecimento faz com que olhemos de maneira inequívoca para nós mesmos e nossa existência, reconhecendo-nos. Por isso muitas pessoas acabam se afastando ou o que é pior repelindo-a, basta ver tudo o que sofreu Charles Darwin e o que se afirma sobre ele ainda nos dias de hoje.  Darwin somente constatou algo posteriormente confirmado por meio de fósseis, todavia era um sujeito de inabalável e fervorosa fé em Deus, o que quase o impediu de publicar suas descobertas. Aliás fiquei incomodado ao visitar um museu em São Paulo e ver a foto de Darwin esquecida em meio ao mobiliário sem a devida identificação. Um desrespeito com o público e com o gênio.

A problematização que devemos fazer é até onde a ciência pode ir e quais limites exploratórios devemos respeitar. Projetos tais como o “CRISP”, prometem eliminar certas doenças e características ditas “indesejáveis” da raça humana. Qual o limite entre uma necessidade real e a eugenia? Temos esse direito? Que tipo de efeitos podem decorrer disso?

Será que o ser humano tem direito de produzir uma cópia de outro ser humano?

Algumas alegorias nos ajudam a compreender bem esse limite. É o que ocorre no clássico “A mosca da cabeça branca” do ano de 1958, em que um obcecado cientista, na tentativa de descobrir o teletransporte,  acidentalmente funde seu corpo e mente com o de uma mosca. Ou ainda no inacreditável “Frankenstein”, de Mary Shelley, um claro convite para que imaginemos o limite entre o esforço científico e o complexo de Deus.

As inúmeras transformações que nosso planeta está sofrendo nos levam a refletir sim, se estamos utilizando as descobertas e a evolução a nosso favor. Nas sábias palavras de Lúcia Helena Galvão, recomendo ao leitor visitá-la no You Tube, o sujeito precisa fazer com que sua alma e as inquietações da existência, a inteligência emocional, sigam os mesmos passos das evoluções técnicas, isso sim. Se não, ainda parafraseando a professora, talvez não fosse vantajoso contar com tantos dispositivos que apenas estariam acelerando a destruição da raça humana. Ressalto aqui que o problema não são as descobertas, mas a atitude do homem mediante as novas possibilidades, uma vez que o excesso e a falta de reflexão podem nos levar à extinção. Isso está relacionado ao modelo de educação de nossa sociedade e ao conjunto de valores que cultivamos, isso sim.

A dualidade é inerente à nossa existência. Tudo pode servir para o bem e para o mal. Nas palavras de Peter Parker (filmaço!): “grandes poderes implicam em grandes responsabilidades”, dessa maneira, a ciência não pode ser vista como inimiga e sim como aliada, desde que adotemos também uma atitude equilibrada em relação ao nosso planeta e ao meio ambiente.  

 

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Professora Renata Saggioro Silva
Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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