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Por que “Quarto Poder”?

05/12/2021 às 23h40
Por: Redação
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Por que “Quarto Poder”?

Sempre que surgem dívidas, o governo quer retirar verbas da educação. Por quê? O professor Ivo Franco nos propõe algumas reflexões através de suas pesquisas e sábias palavras. Convidamos o leitor a saber mais sobre o assunto, refletindo sobre viáveis “caminhos” para a qualidade do ensino no Brasil. Boa leitura !

Professora Renata Saggioro Silva

(Texto escrito por Ivo Franco)

Recentemente escrevi um livro acerca da necessidade de a educação ser transformada em um PODER, principalmente nos países de terceiro mundo. Quais são os fatores que efetivamente apontam para essa necessidade?

Lá se vão mais de duzentos anos desde a Revolução Francesa, em que foi estatuída a independência dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Desde então observamos a gradual evolução histórica desses entes que, senhores dos próprios orçamentos e diretrizes, conseguiram consolidar-se de maneira mais ou menos desejável, sem dúvida, fundamentais para a manutenção da democracia nos países em que ela existe. Com a educação, no entanto, a história foi diferente. Nesse período, vivemos uma série de situações que nos mantêm num terreno altamente escorregadio e com dificuldades recorrentes. 

Chama atenção, entre outras coisas, a dicotomia entre educação pública e particular, sendo evidente que, os que podem optar pela segunda modalidade, jamais lutarão por melhorias na escola pública, algo que causa indesejáveis distorções.

No Brasil, por exemplo, em localidades mais distantes dos grandes centros do país, é vasto o repertório de desacertos nessa área: escolas de lata, escolas de palha, professores recebendo péssimos salários, crianças estudando sem internet ou biblioteca. Muitas vezes até sem banheiro ou sem merenda! Além disso, a enorme rotatividade dos docentes, assim como das políticas de ensino geralmente resultam numa gigantesca bagunça. Claro. Dependendo da visão de governo A ou B, mudam os modelos, a destinação das verbas, tudo muda. No caso dos docentes a depender da pontuação e dos títulos, cursos e diplomas, acabam sendo removidos de uma escola para outra, sendo necessário muitas vezes trabalharem dois, até três períodos para conseguirem pagar as contas. Essas mazelas se irradiam para outros países de terceiro mundo.

Como podemos imaginar uma mudança desse painel, dentro do paradigma neoliberal que preza tanto pela austeridade fiscal e cortes de gastos? Vale a pena insistir no estranho fato de que a necessidade desses cortes de gastos geralmente não contam com nenhuma justificativa factível, no caso uma contabilidade detalhada das dívidas do país, que nunca são apresentadas ao contribuinte. Por certo o leitor, em suas infindáveis caminhadas por aí, já deve ter visto aquele jogo infame que tem três copos e só uma bolinha. O hábil “crupier” de bolinhas jamais levanta os três copos ao mesmo tempo tal como o governo, que nunca mostra as contas aos pagadores de impostos. Os arautos da desgraça são os âncoras dos jornais da noite que impávidos anunciam: “a dívida pública aumentou” (quando os nomes parecem difíceis ninguém pergunta mais nada) em seguida anunciam: “o governo vai ter de cortar da educação e da saúde”. Por que sempre da educação e da saúde?

Se o ensino fosse “O quarto Poder Republicano”, com independência funcional garantida, seria muito mais difícil para mexer em suas verbas e modelos de ensino, uma vez que isso seria definido de maneira exclusiva pelos membros desse novo poder. Lembrando do gigante modernista Manuel Bandeira, o leitor atento talvez questionasse “que Pasárgada é essa proposta nesse artigo? Seria possível existir tal organização?” Sim, caríssimo leitor. É possível sim. Basta lembrar que até a Revolução Francesa, o poder não era tripartite, mas estava concentrado inteiramente nas mãos do rei. Isso mudou entre outras coisas graças às proposições dos Iluministas. Como diria meu professor de Ciência Política na faculdade de Direito: “é perseguindo o impossível que alargamos os limites do possível”.

O primeiro grande campo de batalha dos seres humanos é a cruenta trincheira das ideias. É aqui que devem ocorrer as grandes mudanças. Sim. A educação não só pode como deve ser um Poder separado dos demais, a fim de que nossas escolas tenham materiais adequados e os estudantes consigam atingir uma condição equivalente com a dos melhores centros de ensino mundial. Não devemos continuar aceitando a significativa diminuição dos horizontes de nossos filhos ano após ano. Vale observar aqui: qualquer trabalho é digno, contudo, queremos nossos jovens como cientistas, pesquisadores, astronautas, biólogos, desenvolvedores, dando à matéria prima do Brasil e de outros lugares em situação similar a nossa, valor agregado. O tema do ensino é tão relevante que o próprio Montesquieu dedicou uma parte importante de “O Espírito das Leis” ao assunto.

Por essa razão, convido a todos uma vez mais para a leitura de meu livro mais recente “Educação: o Quarto Poder”, a fim de que consigamos aprofundar a discussão. A todos que aceitarem o convite, excelente leitura. E se quiserem deixar algum comentário ou sugestão, por favor, acessem o endereço de e-mail ou blog abaixo.

Ivo Aparecido Franco

Autor dos livros Samurai Voador e Educação, o Quarto Poder, este último disponível gratuitamente em ivofranco.wordpress.com  e no formato físico no Clube de Autores;  Professor de Educação Básica  na rede Municipal de Diadema desde 2009; Formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo; formado em Pedagogia e História pela Unimes;  Contato: [email protected] e Blog: ivofranco.wordpress.com

 

Referências

Imagem 1: disponível em https://querobolsa.com.br/revista/paises-que-mais-investem-em-educacao-veja-a-situacao-do-brasil 

 

Imagem 2: Livro “Educação, o quarto poder” – Ivo Franco – disponível em https://pt.scribd.com/book/513731744/Educacao-O-Quarto-Poder

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Professora Renata Saggioro Silva
Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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