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PROGRESSÃO CONTINUADA

21/11/2021 00h54
Por: Redação
Professor William Martins
Professor William Martins

Você tem filho, sobrinho, neto, vizinho na escola? Você já estudou e foi reprovado? Conhece a sensação de fracasso, na reprovação? Conhece alguém que desistiu de estudar por ter reprovado?

Sabe o que é progressão continuada ou analfabetismo funcional? Leia o texto do professor William Martins para entender porque existem tantos analfabetos no Brasil, onde começou essa história e pra onde ela vai.

Ah... pra saber: Analfabetismo funcional é quando a pessoa (adulto ou criança) sabe copiar, ler ou escrever, mas não consegue entender o que está escrito, as ideias do texto, parágrafo ou frase que leu.

Progressão continuada veio para mostrar que TODO estudante pode PROGREDIR CONTINUAMENTE, pode aprender, e que caberá ao professor “conhecer o que o aluno já sabe” para depois “ensinar o que ele ainda não sabe”. É um sistema de CICLOS, que valoriza os conhecimentos do aluno dentro daquele período, o que ele aprendeu dentro de um ciclo e não seus fracassos, um processo que tenta garantir que os estudantes permaneçam na escola, mas deve ser um esforço coletivo para que isso aconteça: primeiramente da infraestrutura e políticas públicas por parte dos governantes (já que são eles que liberam – ou não - as verbas da educação), dos profissionais da educação (no esforço de ensinar e partir do que o aluno já sabe, garantindo as aulas de recuperação reforço), das famílias (no incentivo à frequência escolar), já que como dizem os sábios africanos: “é necessário toda uma aldeia para educar uma criança”.

Descubra com o professor William o porquê de acontecer no Brasil tanta reprovações aprovação automática e, por consequência, tanto analfabetismo, e é claro: como isso pode melhorar.

BOA LEITURA! Professora Renata Saggioro Silva

 

TEXTO DO PROFESSOR WILLIAM MARTINS:

O analfabetismo funcional atinge 29% da população brasileira. Em números absolutos isso representa 38 milhões de pessoas, das quais 27 milhões compreendem no máximo informação explícita em texto curto, enquanto 11 milhões sabem apenas assinar o nome. 

Trata-se de um problema com raízes históricas, pois entre o dia em que os portugueses desembarcaram no Brasil, até o grito da Independência, somente dez em cada cem brasileiros aprenderam, pelo menos, a assinar o próprio nome. Entre 7 de setembro de 1822 até a Proclamação da República, apenas 15 em cada 100 pessoas sabiam ler e escrever.

Em 1932 um grupo de educadores, entre os quais estavam Anísio Teixeira e Cecília Meireles, publicou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, defendendo uma escola pública, laica, gratuita e obrigatória garantindo o direito de aprendizagem a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros.

O esforço trouxe benefícios, porém, em 1964 quase 40% da população de jovens e adultos ainda não estava alfabetizada. Havia um projeto de alfabetização em andamento coordenado pelo educador Paulo Freire, que alfabetizara 300 camponeses em apenas 45 dias na cidade de Angicos, RN, em 1963. No entanto, a ação foi interrompida pelo golpe militar e substituída pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização, o Mobral, considerado hoje um programa caro e ineficiente. 

Essa ruptura vai influenciar na formação das futuras gerações, pois uma criança que cresce numa família com pouca escolaridade e, portanto, não exerce a prática social da leitura e da escrita, começa sua vida escolar com defasagem. Diferente das crianças vindas de famílias da classe média, com boa escolaridade e hábitos de leitura e escrita, que entram na escola conhecendo a diferença entre letra, número e desenho e sabendo que uma palavra, frase ou texto se lê e se escreve da esquerda para a direita e de cima para baixo, porque a alfabetização é uma construção que começa e acontece antes da escola.

A partir da redemocratização, em 1985, o país caminhou rumo ao seu melhor momento em termos de educação pública. Temos hoje 150 mil escolas onde mais de dois milhões de professoras e professores atendem por volta de 40 milhões de bebês, crianças e adolescentes, atuam na escolarização de jovens e adultos e no atendimento para estudantes com necessidades especiais.

 

 

O sistema de ciclos, proposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação sancionada em 1996, também conhecido como progressão continuada, é parte deste avanço, pois propõe abolir a reprovação, responsável por altos índices de evasão escolar (quando os alunos se cansam da escola por tantas reprovações, e desistem de estudar), e implantar um formato com outra visão sobre tempo e ritmo de aprendizagem. Foi adotado por um amplo contingente de estados e municípios, porém, o artigo 24 da LDB que fala da obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência no período paralelo para quem apresenta baixo rendimento escolar, é totalmente ignorado pelo poder público. Podemos ver o resultado desta omissão na rede municipal de São Paulo onde, dos quase 50 mil estudantes que concluem o 5º ano 38%, ou seja, 19 mil, terminam com pouco ou quase nenhum aprendizado em leitura e interpretação de texto, percentual que chega a 60% ao fim do 9º ano. E este é um fenômeno que se espalha por todo território nacional.  

Se não houver essa aula extra, se não houver esse apoio pedagógico no contraturno, ou seja: se não houver investimento do governo na educação, a proposta deixa de ser progressão continuada e se transforma em aprovação automática.  

Autor

Professor William Martins

Compõe o Núcleo de Educação Popular da Secretaria de Educação de Diadema. Publicou os livros de poesia “S.O.S Reversos” (2008); “100+ Nem Menos” (2009); “Um verso na cabeça” (2016), todos de forma independente.

É autor dos livros “Economia Solidária na Escola” (2020) e “Progressão Continuada” (2021), ambos pela Editora Saruê. 

Lançou o álbum “Antipherrugem”, em 2021, onde participa como cantor e compositor. 

Contatos: [email protected]

 

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Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Professora Renata Saggioro Silva
Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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