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BRUXAS

02/11/2021 03h41
Por: Redação
BRUXAS

O que lhe vem à mente quando ouve a palavra “bruxa”? São tantos os significados e imaginários: a mulher nariguda, envelhecida, com uma verruga na ponta do nariz? A personagem de João e Maria que quer cozinhar as crianças e comer? Mulheres sendo jogadas na fogueira no tempo da Inquisição? Vassouras, caldeirões, poções mágicas, sapos, morcegos, fogueiras? São muitos os estereótipos, as criações, as invenções das pessoas e instituições. Saiba um pouco mais sobre esses seres iluminados, tão incompreendidos e injustiçados: as bruxas. Instigou sua curiosidade? Te convido a conhecer um pouco mais dessa história.

Professora Renata Saggioro Silva

"- Pareces uma bruxa, disse ele.

- Quem me dera! Ela respondeu.

- Quem me dera? Que mérito tem ser bruxa?

- Eu vou te contar:

Uma bruxa é uma mulher que está ligada à natureza; conhece o poder das plantas e entende a linguagem dos animais. Viaja entre os mundos e comunica-se com o grande espirito. 

Uma bruxa se ama e ama todo ser vivo, respeita e é capaz de ouvir sem julgar e de curar um coração partido.

Ser bruxa é conhecer o poder que há no seu interior, curtindo quem você é sem menosprezar ninguém.

As bruxas dançam e cantam sem complexos, decifram as mensagens da lua e do vento e tomam banho nuas nos rios e nos mares.

Elas fazem magia em suas casas. Com uma boa panela aquecem o teu corpo e a tua alma.

As bruxas desfrutam da sua sexualidade e usam-na para co-criar.

Há bruxas que cantam e bruxas que escrevem.

Outras fazem pão ou vendem suas criações.

Você encontra-as em todas as profissões.

Algumas se reúnem nas noites de lua nova ao redor da fogueira, outras inventam rituais em suas casas e ascendem velas.

E sabes porquê?

Porque elas não têm medo.

Dançam e cantam orando e invocando as ancestrais que injustamente morreram.

Levantam sua voz para acordar as mulheres que ainda sofrem o feitiço de séculos de repressão.

Sussurram feitiços de amor próprio, passam de umas para as outras e gravam-nos em suas células.

Bruxas, magas e feiticeiras que percorrem as quatro direções curando o mundo com seus dons."

(Autor desconhecido)

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Despertem, irmãs ⭐

O texto é bastante autoexplicativo, traduz o que REALMENTE pode ser uma “bruxa”. Infelizmente não descobri o autor. Encontramos no Facebook da Magda Nogueira – Espaço Freyja Terapias Alternativas, mas não sua fonte. Dentre os terapeutas holísticos, inclusive a Magda (terapeuta holística, enfermeira e graduada em Bruxaria Natural pela Casa de Bruxa, xamã e cigana) a palavra “bruxa” significa “mulher sábia”.

Magda Nogueira

Vamos refletir sobre o texto. De onde, historicamente, vem esse termo “BRUXAS”? Quem o inventou? Por quê? Pelo conteúdo escrito, eu, minhas amigas e muitas parentes poderíamos ser bruxas. Quem sabe a mulher que está lendo este texto também tenha características de bruxa. Será?

O termo “bruxa” foi criado na época da “Santa” Inquisição, por volta do século 13, quando mulheres inocentes eram perseguidas, torturadas e mortas (enforcadas, afogadas ou queimadas vivas), julgadas por um grupo de representantes da Igreja. Eram acusadas de “desviar-se das normas da igreja”. Este grupo (chamado Inquisidores) e outras pessoas da sociedade criavam histórias de que essas mulheres eram amaldiçoadas e tinham pacto com o mal, inventavam que elas realizavam feitos satânicos, matavam crianças, entre outras INVERDADES (hoje conhecemos como fake news). Eram capturadas e obrigadas a confessar crimes inexistentes após muitas torturas. “No século 15, o papa Inocêncio 8º. publicou um documento conhecido como Summis desiderantes affectibus, que reconhecia oficialmente a existência de bruxas e incluía gatos pretos na lista de seres que deveriam ser perseguidos, torturados e mortos”. Os Inquisidores publicaram, em 1486, um manual inquisitorial chamado “Martelo das Feiticeiras” ou “Martelo das Bruxas”, com todas as crueldades que deveriam ser aplicadas a essas mulheres, ditas bruxas, e que tinham, erroneamente, “poderes mágicos ou satânicos”. Segundo o professor Ivo Franco, no livro do Carl Sagan: "O mundo Assobrado pelos demônios" tem uma sessão bem detalhada sobre como as mulheres eram mortas nessa época.

Por todo esse período, foram cerca de 50 mil mortes na Europa, além de um legado de preconceitos, injustiças, injúrias contra as mulheres (e até alguns homens) que tinham o poder de cura, de amor, de fé ou simplesmente não seguiam todos os preceitos da Igreja Católica. 

Será que esse preconceito acabou? PASMEM: em 2014 no Brasil, uma mulher foi linchada até a morte por ser considerada “bruxa” e em vários países esse pré-julgamento ainda existe. Triste história de sangue derramado e violência. Que medo existiu e ainda existe sobre esse poder da mulher? Uma história desumana de patriarcado, crueldade e extermínio em massa. Uma história de sangue de mulheres inocentes acusadas de maneira injusta, por serem conhecedoras da vida, da arte, do amor e dos caminhos da saúde e da prosperidade.

Jung. Disponível em https://gramhir.com/media/2679190577696542860

Carl Jung, psiquiatra e criador da psicologia analítica, suíço nascido em 1875, já dizia em seus estudos que “Irá aparecer uma geração de sacerdotes (ou sacerdotisas) capazes de entender a linguagem da alma”. Esse era o papel das chamadas “bruxas”: eram mulheres livres, independentes, que tinham sua fé, uma maneira especial de cuidar dos seus e manifestavam amor pela natureza, entendendo que todos os seres vivos são parte dela (animais, pessoas, plantas).

Em “A Tenda Vermelha”, livro de Anita Diamant (ou o filme – seriado em dois episódios), podemos conhecer a narração do Gênesis bíblico com alguns elementos que nos ajudam a entender essa expressão cultural: o protagonismo feminino, a união entre as mulheres, a importância dos nossos ancestrais, o poder dos elementos da natureza para a cura, o perdão e todo o poder misterioso das mulheres. “Acho que nem o mais esperto dos homens percebe o quanto sabemos e o que fazemos entre nós”, diz um trecho do livro.

A partir dessas proposições, esperamos que o leitor possa refletir sobre o papel da informação em nossa sociedade, sobretudo a diferença entre verdades e mentiras, estudos científicos e “achismos”. Sobre a importância da mulher, de suas conquistas históricas e seu poder natural. É necessário resgatarmos o significado da palavra sororidade, que diz respeito ao comportamento de não julgar outras mulheres e ouvir com respeito suas reivindicações, *sem julgamento, de refletir sobre a sabedoria existente nos ensinamentos das gerações anteriores, os conhecimentos transmitidos de pai pra filho, de mãe pra filha, das realizações e lições dos nossos ancestrais, sobretudo daqueles que lutaram por independência, liberdade e justiça. 

Que possamos conhecer melhor a história verdadeira, não só das mulheres chamadas de bruxas, mas entender a função da sororidade e aplicá-lo à vida real, algo tão natural e necessário (proveniente da época medieval). Devemos nos inspirar na sabedoria dessas mulheres guerreiras, independentes, sagazes e empoderadas que conheciam e utilizavam a cura pelas plantas, que tinham fé no bem e no amor incondicional para com todos os seres vivos. Que inspirados nelas possamos incluir a empatia e a sororidade em nossos comportamentos cotidianos.

Essência

https://gramhir.com/media/2679202267302780446

QUER SABER MAIS?

ABDO, Humberto. 6 reflexões para entender o pensamento de Carl Jung. Disponível em https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/02/6-reflexoes-para-entender-o-pensamento-de-carl-jung.html 

#serbruxa – Instagram – Disponível em https://gramhir.com/explore-hashtag/SerBruxa  

BARRETO, Marco Heleno. Livro analisa as ideias de Carl Jung a partir da filosofia. Disponível em https://www.paulus.com.br/portal/releases/livro-analisa-as-ideias-de-carl-jung-a-partir-da-filosofia/#.YXOJwp7MLIU 

_______, Bruxas: quem eram elas e porque iam parar na fogueira. Disponível em https://super.abril.com.br/historia/bruxas-quem-eram-elas-e-por-que-iam-parar-na-fogueira/ 

SANTOS, Ana Paula. Sororidade: por que precisamos falar sobre isso? Disponível em https://www.politize.com.br/sororidade/ 

_______, O que foi a inquisição. Disponível em https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-a-inquisicao/

PROTASIO, Maira. Resenhando Sonhos. Disponível em https://resenhandosonhos.com/a-tenda-vermelha-anita-diamant/ 

acesso em 23 out 2021

KRAMER e SPRENGER, Heinrich e James. Martelo das Feiticeiras. Tradução de Paulo Froés.

____, Bruxa. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Bruxa 

____, Malleus Maleficarum. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Malleus_Maleficarum 

acesso em 26 out 2021

Imagens:

Imagem 1: NOGUEIRA, Magda. Espaço FREYJA – terapias alternativas – Av Edilu, 210 – Jd. Santo Ignácio – SBCampo – Facebook Espaço Freyja Terapias Alternativas - 11 99433-1974. Disponível em https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=4693981540660788&id=100001469652138 

Imagem 2: Jung. Disponível em https://gramhir.com/media/2679190577696542860 

Imagem 3: Essência. Disponível em https://gramhir.com/media/2679202267302780446 

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Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Professora Renata Saggioro Silva
Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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