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A MISTERIOSA LUZ AZUL

RADIOATIVIDADE, VACINA E EDUCAÇÃO: o que têm a ver essas três palavras? A quais imagens e significados nos remete? Qual ligação há entre elas? A professora Sonia Franco traz algumas reflexões a respeito no texto a seguir. Convido o leitor a deliciar-se e enriquecer-se com suas palavras e ideias.

25/10/2021 01h30 Atualizada há 1 mês
Por: Redação
A MISTERIOSA LUZ AZUL

Professora Renata Saggioro Silva

(Texto escrito pela professora Sonia Franco)

Marie e Pierre Curie foi o casal responsável pela descoberta da radioatividade e ganhadores do prêmio Nobel de 1903, junto com Henry Becquerel. A composição da tabela periódica, a partir dos esforços de Dmitri Mendeleev é, sem sombra de dúvidas, uma das descobertas mais importantes da história humana. O casal Curie foi visionário em vários aspectos, assim sendo, um trabalho pioneiro, a depender de determinados fatores, pode vir acompanhado de incalculáveis riscos.

Os dois atravessavam noites em claro, encantados com o brilho misterioso dos elementos radioativos, que exercia sobre eles efeito hipnótico, quase uma metáfora do lampejo inerente ao encanto da descoberta e do conhecimento.

Praticamente um século depois em Goiânia, no ano de 1987, esse mesmo brilho irradiou de dentro do aparelho de raios x de um velho hospital abandonado. O equipamento fora aberto a marteladas por dois coletores de lixo. A luz encantou também o dono de um ferro velho, que mesmerizado pela emissão, compartilhou a novidade com os parentes mais próximos, inclusive com a sobrinha de seis anos que não titubeou em passar o Césio 137 pelo corpo, achando se tratar de alguma espécie de pó mágico.

Um ano antes na cidade de Pripyat, localizada na Ucrânia, explodira o reator nuclear de Chernobyl, episódio retratado pela série da HBO de mesmo nome. Fatalidades acontecem, entretanto, chamou atenção a maneira como alguns sujeitos lidaram com a coisa toda. Aproximaram-se da substância radioativa sem a mínima preocupação, até mesmo os bombeiros, que tentaram extinguir as chamas como se estivessem lidando com um incêndio comum. Como desgraça pouca é bobagem, soube que em pleno século 21 são realizadas excursões até Pripyat!!! As fatalidades anteriormente narradas, ao menos tinham um contexto lógico.

Recentemente convivemos com o coronavírus. Muitas vidas foram ceifadas, porque determinados indivíduos acharam que máscaras eram um acessório desnecessário. Houve também o movimento antivacina, que usou toda sorte de argumento esdrúxulo contra a campanha de imunização: de que vírus morto ou enfraquecido podia ressuscitar dentro do corpo. Que pulgas, carrapatos e formigas podiam levar o vírus casas adentro do povo. Houve ainda os insumos milagrosos, a ivermectina, a cloroquina, chá de boldo, alho, tudo! Assistimos uma inigualável chuva de falácias que infelizmente abreviou a vida de muitas dessas mais de 600000 vítimas.

Há cerca de um ano ouvi a triste história de um rapaz que levou a família a óbito por achar que poderia fechar a casa e utilizar a churrasqueira como aquecedor numa noite fria.

Que o casal Curie tenha se encantado com a radioatividade é perfeitamente aceitável, afinal, conforme já dissemos, o risco das empreitadas revolucionárias é inerente a elas. Achar normal que as pessoas mais de cem anos depois ainda desconheçam o tema é outra coisa.

Nós professores devemos ter noção do tamanho de nossa responsabilidade como divulgadores científicos. Tudo bem, muitos podem dizer: “Ah, hoje em dia a informação está à disposição de quem quiser”. Não é bem assim. Uma coisa é ter contato com a informação, outra bem diferente é interiorizá-la. Por mais que expliquemos em nossas lousas sobre a existência de vírus e bactérias, é bem diferente quando, contando com a aparelhagem adequada, os alunos possam ver os micróbios no microscópio e tenham internet para buscar maiores informações. No caso, quase todas as escolas públicas não dispõem de uma coisa nem de outra. 

Hoje por certo a maioria das pessoas já deveria saber que radiação pode causar câncer e que ficar trancado respirando gás carbônico, como a família do triste caso da churrasqueira, pode levar a óbito.

Episódios como os da “Revolta da Vacina” são compreensíveis em meados do século XIX, quando ninguém sabia ainda o que era uma vacina. Renegá-la hoje, significa arremessar de novo Giordano Bruno na fogueira, ou ameaçar Galileu por ter defendido o sistema heliocêntrico. Por isso é preciso que cada vez mais as faculdades de Pedagogia aumentem o número de aulas dedicadas às ciências naturais. Que os cursos de extensão e aperfeiçoamento abordem cada vez mais o assunto, isso partindo do pressuposto de que o governo realmente deseje contar com uma população esclarecida. Só assim podemos garantir que fatalidades semelhantes à ocorrida com o casal Curie sejam apenas um capítulo da história da ciência cheia de dramas, sucessos e fracassos.

Professora Sonia Franco:

Criadora e apresentadora do Canal Truquemática no YouTube; Licenciatura e Pós Graduação em Matemática pela Fundação Santo André; graduada em Pedagogia pela Uninove; graduada em Engenharia de Produção pela UNISA (Universidade Santo Amaro); Formadora em cursos de Formação Continuada; Ex-Coordenadora do Programa Cidade na Escola em Diadema; Ministrante e palestrante de cursos relacionados à Matemática e Professora de Educação Básica I desde 2003 em Diadema até os dias atuais.

Contatos: Canal Truquemática: https://youtube.com/channel/UCujqUxrT2H_WGLr4qfBVpDw

e- mail: [email protected] Facebook: https://www.facebook.com/SoniaFrancoTruquematica Instagram: https://www.instagram.com/professorasoniafranco/

 

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Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Professora Renata Saggioro Silva
Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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