Quarta, 01 de Dezembro de 2021 15:33
(11) 99734-5699
Colunistas Professores

O PROFESSOR DA PRIMEIRA INFÂNCIA: SÓ CUIDAR? OU APENAS BRINCAR?

Quais os atributos do professor de primeira infância (creche e emei) nos tempos atuais? Uma homenagem, reflexões...

21/10/2021 01h27 Atualizada há 1 mês
Por: Redação
O PROFESSOR DA PRIMEIRA INFÂNCIA: SÓ CUIDAR? OU APENAS BRINCAR?

Tudo o que realmente vale a pena saber, eu aprendi no jardim de infância

Pedro Bial

Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.

 

Estas são as coisas que aprendi:

1. Compartilhe tudo;

2. Jogue dentro das regras;

3. Não bata nos outros;

4. Coloque as coisas de volta onde pegou;

5. Arrume sua bagunça;

6. Não pegue as coisas dos outros;

7. Peça desculpas quando machucar alguém; mas peça mesmo !!!

8. Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar;

9. Dê descarga; (esse é importante)

10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você;

11. Respeite o limite dos outros;

12. Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco... desenhe... pinte... cante... dance... brinque... trabalhe um pouco todos os dias;

13. Tire uma soneca a tarde; (isso é muito bom)

14. Quando sair, cuidado com os carros;

15. Dê a mão e fique junto;

16. Repare nas maravilhas da vida;

17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem... nós também.

 

Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo, ao seu mundo e vai ver como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica, devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair. Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.

 

O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver.”

Pedro Bial é jornalista, nunca foi professor da primeira infância, mas descreveu neste pequeno poema, de maneira simples e numa linguagem objetiva e clara, as coisas mais importantes que as crianças fazem na creche e emei (antiga pré-escola): brincar e crescer desenvolvendo-se de maneira integral como seres humanos. É na primeira infância que as crianças desenvolvem sua personalidade, caráter, corpo e mente, especialmente através das interações e brincadeiras (exatamente como preconiza a BNCC – Base Nacional Comum Curricular brasileira). É nesse tempo, aproximadamente dos 0 aos 6 anos que as conexões neurais ocorrem com mais agilidade, quantidade, qualidade. É nesse curto período que acontecem as maiores descobertas e questionamentos (os conhecidos porquês) e as grandes aprendizagens que marcarão toda sua vida futura. 

“É preciso toda uma aldeia para educar uma criança” – já diziam os sábios africanos nesse provérbio antigo. No Brasil, é recente a lei que estabelece que “a família, sociedade e Estado são responsáveis pela formação e proteção do indivíduo” (ECA – Estatuto da Criança e Adolescente – 1990) e somente a partir deste ano as crianças começam a ser vistas como sujeitos de direitos.

As crianças bem pequenas possuem uma curiosidade nata, “são os melhores cientistas e alunos do mundo”, de acordo com o documentário “O começo da vida”. Cabe, então, ao meio e às pessoas que o cercam (sejam os responsáveis por sua educação: familiares, parentes, vizinhos ou profissionais da educação): ensinar PELO EXEMPLO muito mais do que pelas palavras, como se comportar (atitudes), proceder, desenvolver técnicas e realizar feitos. É nessa fase que, conversando, vão aprender a falar; observando os passos do adulto, vão aprender a caminhar, se os pais gostarem de ler (gibis, jornais, livros), as crianças podem criar comportamento leitor r aprender a gostar de ler. Observando os pais a cozinhar vão aprender as técnicas, maneiras de preparar o alimento. Outros exemplos: a criança que mora numa residência onde todos falam muitos palavrões, com certeza esse pequeno vai aprender rápido a repetir essas palavras e entender o que significam, sabendo usá-las na “hora certa”. Da mesma maneira, se essa criança bem pequena mora numa casa onde há pais músicos, que participam de encontros musicais/artísticos, saraus, rodas de música, produção de shows, convivendo com composições, momentos de cantoria, muito provavelmente ela terá ritmo, entonação vocal, repertório e postura musical, já que vivencia essa prática constantemente (vê, ouve, aprecia elementos, instrumentos, falas, melodias, espaços, objetos ligados a essa área, a essa capacidade e então terá aguçada, ESSA habilidade musical).

Sendo assim, vale pensar que é nessa fase que deveria haver maior investimento por parte de toda sociedade (investimento financeiro, de saúde física, mental, emocional e corporal – inclusive nutricional) do governo e sociedade. É nessa fase que pais e mães deveriam acompanhar mais de perto seus pequenos, incentivando-os, estando juntos num tempo de qualidade (entende-se tempo de qualidade por mais brincadeiras e interações e menos aparelhos eletrônicos). São as experiências desse período que ficarão guardadas na memória, nos corações, no cérebro desse adulto, que vai se recordar com carinho dos ensinamentos aprendidos na prática, nas experiências de sua infância e utilizá-los em sua vida adulta. 

Para garantir o direito ao desenvolvimento pleno, o contato direto, constante com os pais – tutores responsáveis – neste início da vida, é imprescindível. Esta responsabilidade, por consequência, refere-se ao governo e empresas. Em alguns países, como Noruega, Suécia, Finlândia, Islândia, Alemanha, por exemplo, pais e mães (os tutores legais) têm cerca de 67 a 170 meses de licença parental, divididos igualmente pra cada um com licença remunerada a partir de 70% do salário, enquanto no Brasil a luta ainda é grande para garantir às mães o irrisório período de 4 a 6 meses de licença maternidade, lei recente, de 1988. Algumas empresas cedem 180 dias. Aos homens, aos pais, bem menos que isso: de 5 a 20 dias no máximo, sendo que antes dessa lei a licença paternidade nem existia. Ainda assim, é sabido que nem todas as empresas concedem esse direito, pois demite-se ou não se permite o gozo dos dias totais.

A falta de consciência e de respeito às leis no Brasil é tão grande, que sabe-se de denúncia de MÃE profissional da polícia militar  (instituição que deveria ser exemplar no cumprimento da lei), por exemplo, que foi presa por desacato ao  não cumprir hora extra justificando a necessidade de  amamentar seu bebê (caso recente, de outubro/2021, imaginem quantos casos semelhantes não são denunciados). Por estes e outros acontecimentos absurdos, é visível como o Brasil está longe de investir em seus pequenos cidadãos. 

De acordo com o documentário citado anteriormente: “O começo da vida”, o investimento é prioritário nesses países: para as gestantes e famílias com crianças bem pequenas. O país que investe (comprovadamente) tem em contrapartida, um retorno econômico muito maior que o investido. Para além, garante um futuro promissor não apenas para essas famílias, mas para toda sociedade. Como consequência, os cidadãos têm um potencial muito maior: físico, emocional, estrutural, financeiro, social e econômico 

 Assim, ganham todos: a sociedade, o país, as pessoas.

 Se você é pai/mãe, tio/tia, avô/avó, professor(a) e especialmente um político, é essencial assistir o documentário. Como diz a sinopse do filme: “Se mudamos o início da história, mudamos a história toda”.

É nesse contexto que destacamos o papel do professor de educação infantil:  é aquele que proporciona espaços, materiais e experiências através das interações e brincadeiras,  garante, na rotina escolar, momentos de autonomia, cuidados com a higiene, mas também o desenvolvimento integral através de propostas com elementos da natureza, vivências livres ou dirigidas com brinquedos ou materiais não-estruturados, histórias lidas ou contadas, rodas de músicas e de conversa... desde a recepção e acolhida das crianças, hora do lanche, até o momento de saída, o que chamamos de “currículo do cotidiano”. Neste sentido, todos os cantinhos, caminhos, agrupamentos, materiais oferecidos e espaços organizados são pensados intencionalmente a fim de desenvolver as habilidades e capacidades necessárias ao desenvolvimento pleno de cada criança. Todas essas propostas do cotidiano escolar têm uma função pedagógica de garantir os direitos de aprendizagem dos estudantes previstos na BNCC: conviver, brincar, explorar, participar, conhecer-se e expressar-se, seja a consciência corporal das crianças, a oralidade e suas diferentes linguagens (escrita, desenho, música, dança, entre tantas outras), todas as suas habilidades e competências. São todas essas vivências, experiências práticas da creche e escola de educação infantil que vão garantir a atenção, a concentração, os hábitos necessários para que a criança se interesse pelos estudos, pelas escritas e conceitos matemáticos, por aprender, por pesquisar, por descobrir os conhecimentos mundialmente construídos pela humanidade.

O pensamento equivocado de que “creche é depósito de criança” ou que o papel do professor é apenas cuidar ou trocar fraldas, por exemplo, vai por água abaixo: sua função vem se modificando ao longo dos anos no sentido de garantir os direitos básicos das crianças (e adolescentes) e sua proteção integral de acordo com o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente: “o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

“A creche não é um cabideiro” – 1976 – Francesco Tonucci

Saudamos os professores neste mês de homenagens, em especial aos de educação infantil, que têm contribuído com as primeiras aprendizagens dos pequenos, no estímulo de suas conexões neurais através dos brinquedos e brincadeiras, nas propostas de interações com os colegas e adultos por meio de histórias,  músicas, as artes, na experimentação, nas vivências com os elementos da natureza, nos cuidados com o próprio corpo (autocuidado) e ambiente em que vivem, na ampliação de seus repertórios através do conhecimento, do pensamento crítico e criativo, dos espaços de argumentação, das propostas que vivenciam a empatia (colocar-se no lugar do outro), cooperação, a responsabilidade e  cidadania. 

“É de pequenino que se torce o pepino”? NÃOOOOO!! É de pequenino que, brincando e interagindo, se aprende a falar e argumentar, a pensar, a decidir, a construir, a criar, a escolher, a proteger-se, a cuidar-se e conhecer-se. É de pequenino que se garante os direitos da pessoa como cidadão, que se aprende a fazer um mundo de paz, amor, prosperidade e RESPEITO para todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Professora de educação infantil fazendo leitura de história em voz alta para as crianças – com cenário, fundo musical (Diadema)

HOMENAGEM ESPECIAL AOS PROFESSORES DA CRECHE (EMEB) DEVANIR JOSÉ DE CARVALHO - DIADEMA

ANA MARIA DE OLIVEIRA URQUIZA

ANA PAULA DE A. ALBUQUERQUE

BRUNA TAIRINI SILVA

CAMILA BITTA CARVALHO

CARLA SANTOS FERREIRA

CRISTIANE DIACOV OLIVEIRA

CRISTINA DE SOUZA DUTRA

DAYANE OLIVEIRA DE S LINHARES

DEBORA APARECIDA MARSON

EDILEUSA SANTOS DA SILVA

EDNEUSA MASSARIOL DE MESSIAS

EDRIANE MARIA SILVEIRA BORGES

EFIGENIA PIRES SILVA

ELAINE SANTOS MOTA DE LIMA

ELIANE CRISTINA DE JESUS

ELEN OTONI

FERNANDA RODRIGUES SANTANA

GESSICA DE OLIVEIRA CARILO

GISLENE LEAL HAMABI

HELEN MARIA SAMPAIO FERRAZZA

JANETE MARIA ROZA VIEIRA

JOCELEI ARRUDA

JOICE DE BARROS

JOSELIA FERREIRA DA SILVA

KARINA MARANGONI

KATIA MIKA KANAI

KELLY FERREIRA NOBRE

LUCELIA DE LIMA LEITE

LUCILENE SOARES DA SILVA

MARCELA BARBOSA RIBEIRO

MARIA APARECIDA ALVES CAMPOS

MARIA CRISTINA DA SILVA SOAMA

MARIA DO R P DA NASCIMENTO

MARIA NEUSA SOARES PAVAN

MARIA SOLANGE ALVES MANTOVAN

MARTA DA SILVA DE ANDRADE

MERCIA LEIZA MAIA

MERCIA VALERIA DE F AMORIM

MONALIZA CRISTINA S DA SILVA

PATRICIA VITOR DE SOUZA SANTOS

RENATA DE SOUZA MAZZOTTI

ROSANGELA DE FATIMA V M CLASER

ROSEMEIRE ALVES COUTO

ROSENEIDE AP DOS S RODRIGUES

ROSIANA FERREIRA DA SILVA

SOLEMAR GRANUCCI

SIMONE CRISTINA AVELINO

SONIA HERCULANO DA S DE MELO

TEDILA SILVA LUCIANO

THAIS DE SOUZA SANTOS

THIFANY SANTOS

VALERIA MACHADO A SANTOS

VERA LUCIA CARDOSO DA SILVA

VOLNEI BISPO DE ALMEIDA

ZORAIDE GARCIA NERI

Professora Renata Saggioro Silva

Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Ex-Coordenadora do Programa de Educação Integral de Diadema (Mais Educação/Cidade na Escola), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Coreógrafa, Poetisa. Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de cursos e palestras sobre arte-educação.

Contatos: email: [email protected] Instagram: @renatasaggiorosilva 

 

PARA SABER MAIS

O que é a BNCC. Disponível em http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base 

Tudo o que realmente vale a pena saber, eu aprendi no jardim de infância. Disponível em https://www.pensador.com/jardim_de_infancia_de_pedro_bial/ 

Brytes, Clay. Disponível em “Neurociência” https://institutoneurosaber.com.br/como-a-neurociencia-pode-ajudar-a-entender-como-as-criancas-de-0-a-6-anos-aprendem/ 

Smith, Rory. “Os cinco países com as melhores políticas compartilhadas de licença parental” – disponível em  https://www.thefools.com.br/blog/post/os-5-paises-com-melhores-politicas-compartilhadas-de-licenca-parental 

Zanellato e Castedo, Gabriela e Maria Esther. “Licença paternidade no Brasil: tudo o que você precisa saber”. Disponível em https://factorialhr.com.br/blog/licenca-paternidade/  

Gava e Castedo, Marcela e Maria Esther. “Licença maternidade: o que diz a lei sobre pagamento e tempo de ausência”. Disponível em https://factorialhr.com.br/blog/licenca-maternidade-brasil/ 

'Não me vejo mais na PM', diz policial que foi presa ao se recusar fazer hora extra por precisar amamentar o filho em São Luís – disponível em https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2021/09/24/nao-me-vejo-mais-na-pm-diz-policial-que-foi-presa-ao-se-recusar-fazer-hora-extra-por-precisar-amamentar-o-filho-em-sao-luis.ghtml 

Imagem 1: “A creche não é um cabideiro” – Francesco Tonucci – 1976 - disponível em http://paraalmdocuidar-educaoinfantil.blogspot.com/2010/10/do-direito-obrigacao-matricula-das.html 

Imagem 2: ECA: conheça o Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível em https://www.childfundbrasil.org.br/blog/eca-estatuto-da-crianca-e-adolescente/?utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_campaign=blogposts&utm_term=eca&gclid=Cj0KCQjw5JSLBhCxARIsAHgO2Sch4H5mDAXeMSODXIwNSw8jwHobNdj_0HSznp9zF98fsGFBbuxDHpoaArbzEALw_wcB

Imagem 3: arquivo pessoal da professora Renata Saggioro

Vecchi, Vea. Documentário: “O começo da vida” disponível em https://ocomecodavida.com.br/filme-completo/ e https://www.youtube.com/watch?v=1zFLgMJMH9c 

Acesso em 13 out 2021

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Professora Renata Saggioro Silva
Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
São Bernardo do Campo - SP
Atualizado às 15h23 - Fonte: Climatempo
27°
Pancada de chuva

Mín. 17° Máx. 28°

29° Sensação
17.2 km/h Vento
73.5% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (02/12)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 16° Máx. 24°

Sol com muitas nuvens
Sexta (03/12)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 15° Máx. 23°

Sol com muitas nuvens
Anúncio