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Homenagem ao professor de Matemática, este incompreendido!

Matemática envolvida em emoção, encantamento e resolução de problemas da vida, não apenas dos números.

16/10/2021 01h47 Atualizada há 2 meses
Por: Redação
Homenagem ao professor de Matemática, este incompreendido!

(escrito pela professora Sônia Franco)

Início dos anos 2000, minha graduação em Matemática. A figura longilínea do professor de Cálculo Numérico adentrava a sala de aula, num chuvoso início de noite. Olhares assustados de quase uma centena de alunos direcionavam-se ao mestre como se ele fosse um alienígena, assim como também aguardavam desconfiados pelas derivadas e integrais que seriam escritas na lousa logo mais.

Eis a Matemática: todo mundo já passou por alguma experiência traumática em relação a essa disciplina, seja um exercício que não conseguiu resolver ou uma aula acerca da qual não compreendeu absolutamente nada. São muitas as razões pelas quais as pessoas que encontram alguma dificuldade nesse campo acabam engrossando o terrível coro do “não gosto de Matemática”

Verifiquemos alguns dos possíveis motivos.

O cérebro humano, com milhões de anos de existência, tem a parte irracional muito mais antiga e só num passado recente, em termos evolutivos, a racionalidade se desenvolveu em nosso córtex, segundo Daniel Goleman, autor do livro “Inteligência Emocional”. Isso explica o porquê de, quando envolvidos numa discussão inflamada, explodimos primeiro e somente depois de um tempo conseguimos pensar com calma sobre os motivos da briga. Também explica a razão de boa parte dos seres humanos nem sempre realizarem as melhores escolhas em suas vidas particulares e finalmente o fato de um percentual considerável de estudantes se afastarem da Matemática. Afinal, não é exigido cálculo nenhum para nos comovermos com Romeu e Julieta. Nem vetor algum que tenhamos de decifrar para nos encantarmos com Machado de Assis ou José Saramago. É sentimento puro. Por isso conquistar a Matemática é mais difícil.

Essa aversão também tem a ver com o espírito de uma época. Vivemos tempos hedonistas, em que a busca incessante pelo prazer ocupa corações, mentes e atitudes. A professora Lúcia Helena Galvão nos ensina que o modo pelo qual um povo se cumprimenta, diz muito acerca dele, revelando desejos e costumes daquele coletivo de pessoas. Segundo ela, os incas se cumprimentavam por meio dos dizeres: “não seja preguiçoso, não seja mentiroso, não seja ladrão”, numa constante reafirmação dos padrões morais considerados por eles imprescindíveis.  Nós modernos, modo geral, nos cumprimentamos dizendo “muito prazer”. Não que a Matemática não nos cause prazer. Causa, mas não esse do cumprimento, que é mais imediato e experimentamos quando interagimos em redes sociais ou quando assistimos a uma série. É algo racional, orientado pela descoberta e raciocínio, relacionado à intuição.

Khalil Gibran em sua obra clássica “O Profeta”, nos demonstra que se há algum sofrimento na vida, deveria servir para nosso crescimento enquanto seres humanos. O mesmo raciocínio se aplica à Matemática, cujo esforço intelectual deveria causar evolução nos envolvidos, não repulsa ou desistência.

Outra questão envolve metodologia. Há uma frieza e impessoalidade no ensino da matéria que afasta ainda mais eventuais interessados. De repente o aluno se vê frente a frente com matrizes, vetores, equações, que por alguma razão foram extirpados da realidade que deveria acompanhá-los e acabaram no quadro negro de algum docente exótico. Isso não é culpa dos professores e sim algo que ocorre devido às especificidades do ensino da disciplina. Talvez, antes de adentrar a técnica em si, devesse haver uma incursão por seu lado mais humano, demonstrando sua aplicabilidade no dia a dia: apresentar aos alunos os números binários, que permitem que tenhamos nossos computadores e celulares. A Geometria Euclidiana, que viabiliza objetos industrializados de várias formas e tamanhos; os Números Complexos que ajudam a mensurar correntes elétricas; a Álgebra Linear, estatística e probabilidade que maximizam ganhos na bolsa de valores. Exemplos desse tipo conseguem trazer as ideias de volta ao mundo real e demonstram que conhecer Matemática ou não, pode representar a diferença entre dominar a realidade, ou ser dominado por ela.

Por todas essas razões, há alguns anos tinha em mente um projeto que trouxesse à tona o lado lúdico da Matemática, algo leve e que permitisse um contato que ocorresse por meio de brincadeiras, truques e desafios, algo que fosse relacionado à realidade das pessoas, a matemática diretamente ligada ao cotidiano. Que representasse o começo da jornada de alguns e um lugar agradável disponível também a quem já tem familiaridade com os números. Assim nasceu o canal Truquemática, que está no YouTube há 5 meses, onde posso dividir com amigos e colegas de profissão minha enorme admiração por curiosidades e truques matemáticos, pois acredito que somente por meio de uma gradual humanização da disciplina conseguiremos evitar o que ocorreu na minha graduação anos depois. Daquela centena de alunos que iniciaram o curso em minha turma, menos de trinta conseguiram concluí-lo, entre outras coisas, porque não puderam se encantar com os números na idade certa. Por isso, nessa data, deixamos nossa homenagem a todos os professores de Matemática em especial, e a todos os demais professores; e ressaltamos a importância da formação e valorização de cada vez mais profissionais dessa área. Parabéns pelo seu dia!

 

Professora Sonia Franco:

Criadora e apresentadora do Canal Truquemática no YouTube; Licenciatura e Pós Graduação em Matemática pela Fundação Santo André; graduada em Pedagogia pela Uninove; graduada em Engenharia de Produção pela UNISA (Universidade Santo Amaro); Formadora em cursos de Formação Continuada; Ex-Coordenadora do Programa Cidade na Escola em Diadema; Ministrante e palestrante de cursos relacionados à Matemática e Professora de Educação Básica I desde 2003 em Diadema até os dias atuais.

Contatos: Canal Truquemática: https://youtube.com/channel/UCujqUxrT2H_WGLr4qfBVpDw email:[email protected] Facebook: https://www.facebook.com/SoniaFrancoTruquematica Instagram: https://www.instagram.com/professorasoniafranco/

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Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Professora Renata Saggioro Silva
Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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