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Colunistas Professores

“Aos mestres com carinho”

Uma homenagem e uma reflexão sobre os direitos de um dos profissionais mais importantes do mundo

15/10/2021 00h48 Atualizada há 2 meses
Por: Redação
Aos mestres com carinho
Aos mestres com carinho

Quem é o professor brasileiro? Qual seu papel no capitalismo financeiro moderno? Em tempos nos quais as práticas escolares são tão discutidas, precisamos urgentemente responder a essas perguntas, a fim de que possamos estabelecer o tamanho exato dessa relevância dentro da sociedade atual.

Ao longo dos anos, os professores foram retratados nas telas de cinema como um dos clichês mais clássicos de Hollywood: Sidney Poitier, em “Ao Mestre Com Carinho” interpretou o docente que colocava na linha uma sala de rebeldes. Décadas mais tarde, Michelle Pfeiffer, no longa metragem “Mentes Perigosas” de 1995, interpretou a mestra que conseguia despertar o interesse pelos estudos em alunos extremamente rebeldes e mergulhados num contexto social bastante problemático.

Por outro lado, há determinados jornalistas que sem jamais ter pisado numa sala de aula de escola pública, tampouco convivido com os alunos, ou sequer conversado com algum professor para saber de suas condições de trabalho, gastam o tempo defenestrando os profissionais da educação. Os termos utilizados são os piores possíveis: chamam os educadores de vagabundos, acomodados, gostam de dizer que são esquerdistas, que levam ideias partidárias salas de aula adentro, atacam, infelizmente, os especialistas em educação, com “fake news”.

Os dois extremos são exagerados. No primeiro caso, o modelo hollywoodiano peca pela tentativa de apresentar os professores quase como mitos do inconsciente coletivo, entidades capazes de fazer sacrifícios estoicos a fim de salvar as pessoas. Na segunda hipótese, apresentados como párias, um peso na sociedade, que de forma deliberada sugam o dinheiro do Estado com objetivos comunistas de dominação. Em ambos os casos, deixam a entender que esses profissionais de imprensa acham mais fácil atacar os professores do que o problema real, que tem um espectro bem maior. Entretanto não é uma coisa nem outra. Ambas as visões cometem o equívoco de individualizar demais a profissão e exigir dos profissionais do ensino mais do que é possível. Muitas vezes a sociedade espera que o professor, munido somente de boa vontade, resolva as mazelas da educação e não é assim que funciona. Aliás, o neoliberalismo quer a todo custo particularizar a existência, espalhando por aí com grande sucesso a ideia de que o sujeito independentemente das pressões sociais, consegue ser o senhor de seu destino. Ledo engano. 

Em todas as nações onde o ensino prosperou, o papel do estado foi fundamental no sentido de fornecer condições financeiras e materiais à escola, pois esses países sabem que garantir educação de qualidade é algo estratégico aos que almejam alcançar altos níveis de desenvolvimento econômico e social. Basta ver o que fez a Noruega, que durante décadas destinou o dinheiro do petróleo a melhorias na ensino. Veja-se ainda o exemplo da Coreia do Sul, que tendo saído de uma guerra há poucas décadas hoje é referência mundial.

O Brasil, o que faz? Da parte do governo, em várias oportunidades retira recursos dessa área, alegando que não tem dinheiro. Em 2016 estabeleceu a emenda 95, que congelava os gastos em educação e saúde por vinte anos! Agora o governo surge com a PEC 32, que entre várias coisas acena para a possibilidade de redução salarial do servidor em certas hipóteses e possibilita contratação de apadrinhados políticos. Eles alegam a necessidade de poupar ainda mais recursos, retirando direitos dos servidores públicos, principalmente da educação, segurança pública e saúde, apoiando-se em argumentos falaciosos, como por exemplo, de que “gastos com funcionalismo público estariam impactando 90% das receitas do governo”. Uma checagem da agência Lupa, mostrou que esse dado é falso. Os gastos da União com o funcionalismo nos últimos anos não passaram de 38%. Portanto, passou da hora de o povo parar de aceitar esse argumento falacioso de que nosso país não tem dinheiro, sendo que as contas jamais são apresentadas! Se as contas do governo estão tão ruins como se alega, então que seja feita uma auditoria pública delas, demonstrando o quanto o país deve, para quem deve e se deve mesmo, assim como foi feito no Equador. O princípio da publicidade nos garante esse direito. 

A grande verdade é que o neoliberalismo não deseja a continuidade dos serviços públicos, porque beneficiam o povo. Se ao invés de contar com saúde, educação e previdência pública as pessoas tiverem de pagar por tudo isso, haverá mais dividendos para os acionistas de alguma empresa particular que cuide dessas atividades, haja vista o que vem ocorrendo com a Petrobrás, uma empresa pública que deveria nos beneficiar a todos, mas ao contrário, temos sentido nas bombas de gasolina e nos alimentos o impacto direto do neoliberalismo. 

É chegado o momento da população reconhecer que medidas como a emenda 95 e a PEC 32 tornam o trabalho dos servidores públicos cada vez mais precário, ao invés de melhorá-lo.  Por isso, enquanto não houver verbas suficientes e planejamento governamental adequado, não haverá Sidney Poitier ou Michelle Pfeiffer capazes de salvar ninguém. A escola só funciona de maneira adequada quando existe vontade política e vontade governamental para que isso ocorra. Esperar ou propagar que esforços individuais possam sanar o problema é contraproducente e falacioso. Aproveito a oportunidade ainda para convidar os interessados em aprofundar a discussão à leitura do meu livro “Educação, o Quarto Poder”, disponível no domínio descrito abaixo. Gosto sempre de lembrar que toda nação está condenada, de forma definitiva, a seguir o destino que dá aos seus professores.

Ivo Aparecido Franco

Autor dos livros Samurai Voador e Educação, o Quarto Poder, este último disponível gratuitamente em ivofranco.wordpress.com  e no formato físico no Clube de Autores;  Professor de Educação Básica I na rede Municipal de Diadema desde 2009; Formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo; formado em Pedagogia e História pela Unimes;  Contato: [email protected] e Blog: ivofranco.wordpress.com

 

Professor Ivo Franco

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Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Professora Renata Saggioro Silva
Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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