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Educação HOMENAGEM

Uma semana/mês recheada(o) de reflexões, provocações sobre educação e o papel do professor

15 de outubro é o Dia dos Professores, desde 1994, proclamado mundialmente pela UNESCO. No Brasil, temos motivos para comemorar esta data?

12/10/2021 02h30 Atualizada há 1 semana
Por: Redação
Paulo Freire
Paulo Freire

Você quer ser engenheiro, advogado, médico, juiz ou professor? Precisa de um mestre, um professor, precisa estudar muito, precisa de alguém que o guie, tire suas dúvidas, demonstre como fazer, que explique, que provoque sua curiosidade, que te faça evoluir, que te faça pesquisar, que te traga ou ensine a pesquisar novos conhecimentos, novos caminhos, que oportunize a convivência, interação e afeto.

De acordo com a origem da palavra, MESTRE (do latim magister ou do francês antigo maistre), é aquele que manda, coordena, guia, administra: é o ator o principal: o que tem conhecimento e “poder”. Já a palavra PROFESSOR (do latim professum), pode trazer outro significado: o que professa (declara publicamente), cultiva, dedica, manifesta-se, assegura, promete, confessa. Enquanto a palavra EDUCADOR (latim educatore) é o que cria, nutre, educa.

Em muitos países europeus, por exemplo, os professores são chamados, com orgulho, de “Mestres”, que detêm o poder, a sabedoria, o conhecimento. Aqueles que invadiram nosso Brasil, dominaram, catequizaram, roubaram, mataram, aqueles que se definem como “donos do saber e do poder”. Na Idade Média, “Professor” era um ator casto, uma figura religiosa - geralmente eram padres, freiras (religiosos de modo geral), e todo conteúdo “ensinado” era dominado pela Igreja, é aquele que ensina procedimentos, conhecimentos ou atitudes. “Educador” surgiu depois, com novos conceitos sobre educação, objetivando a formação de um ser integral, com capacidades e habilidades, como um ser que pensa e aprende por diversas maneiras.

Porém, na Grécia Antiga, bem antes do famoso Mestre Jesus Cristo, Sócrates já ensinava seus discípulos a pensar: questionando-os, conversando com eles sobre assuntos da vida, refletindo, filosofando e construindo saberes. Ele não usava uma instituição fixa com paredes e cadeiras: fazia isso embaixo de árvores, em espaços abertos e agradáveis: ensinar era uma maneira de refletir sobre a vida, a história e seus desafios, para resolver questões fundamentais do dia-a-dia. O cérebro era estimulado a não aceitar teorias prontas, mas sim a pensar por si próprio e entender que o conhecimento é infinito, na sua famosa frase: “Só sei que nada sei”.

O físico Albert Einstein já dizia: “educação é aquilo que fica depois que esquecemos o que foi ensinado ou aprendido”. Paulo Freire também trazia esse conceito: do aluno como ser autônomo, movido por habilidades e capacidades capazes de fazê-lo aprender com o outro, com o meio (as interações), como um ser completo que busca a felicidade na autonomia. Pasme: Paulo Freire alfabetizou 300 trabalhadores em 45 dias, em 2021 comemoramos 100 anos desse magnífico educador, que hoje é estudado por muitos países (inclusive os dominadores europeus). 

No Brasil, ainda não definimos qual conceito usar na sala de aula: simplesmente mandar e obedecer? Que tal apenas ensinar? Ou seria interessante conduzir, e deixar que cada um caminhe com suas próprias pernas, como um ser capaz, integral?

Se antes era a igreja que dominava o conteúdo, agora são as políticas públicas que definem as verbas e rumos da educação: muitas vezes prevendo seres não-pensantes, que facilmente recebem silenciosamente conceitos, fatos e até “fakes”, que facilmente podem ser dominados, mandados, calados.

Paulo Freire, um dos maiores educadores do mundo, trouxe-nos os mesmos conceitos de Sócrates: ensinava a pensar, refletir sobre os assuntos da vida, para que todos pudessem formar-se de maneira integral, ter autonomia para resolver os problemas do cotidiano, ser resistente para enfrentar os opressores com paz, conhecimento, sabedoria e amor. Ele escreveu que o professor precisa conhecer seu aluno, sua realidade, para partir dela, e só depois ampliar seus conhecimentos, suas aprendizagens, seus horizontes (não apenas na escola, mas também na sua comunidade, na sua vida). Partindo de sua realidade e problematizando-a, os estudantes fazem (independente de um professor que o guie), uma leitura de mundo, e depois, com as devidas intervenções, provocações, aprenderão a pensar, a “ler nas entrelinhas”, terão senso crítico sob os assuntos da vida. Por isso, os governantes de sua época o exilaram: que governantes querem um povo que pensa sozinho, que busca seus direitos?

Paulo Freire, após retorno do exílio em 1979, em entrevista ao Jornal da Tarde, em sua casa em São Paulo (Foto: João Pires/Estadão Conteúdo/Arquivo)

Que esta semana, que permeia o “15 de outubro”, possa provocar muitas reflexões acerca do ensino no Brasil, das verbas destinadas (ou desviadas) da educação, das (péssimas) condições de trabalho dos professores, da valorização (ou atual desvalorização) do conhecimento sob o “achismo”. Que essa data possa provocar reflexões e, quem sabe, soluções para o fim da opressão e do marco da aprendizagem. Que possamos priorizar para nossa sociedade presente e futura: cidadãos pensantes, integrais, dignos de direitos e deveres. Ou queremos cidadãos (nossos filhos, sobrinhos, netos) adultos oprimidos, reprimidos, que apenas obedecem ordens? 

Contatos: email: [email protected] Instagram: @renatasaggiorosilva 

 

QUER SABER MAIS?

a história da profissão docente: imagens e autoimagens. Disponível em https://www.editorarealize.com.br 

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-etimologia-de-mestre-de-professor-e-de-educador-de-novo/20548  

https://etimologia.com.br/mestre/ 

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-etimologia-de-mestre-de-professor-e-de-educador-de-novo/20548 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_professor 

https://www.revide.com.br/blog/renata-carone-sborgia/historia-sobre-profissao-professor-dia-15-de-outub/ 

https://abmes.org.br/blog/detalhe/14448/os-significados-das-palavras-aluno-e-educador 

 

 

 

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Professora Renata Saggioro Silva
Sobre Professora Renata Saggioro Silva
Pedagoga, Professora de Educação Básica desde 1996 (Diadema e SBC), Coordenadora Pedagógica (Prefeitura de Diadema), Dançarina profissional e professora de Danças Brasileiras e Ciganas, Pós-Graduada pela USP em “Combate à Violência doméstica contra crianças e adolescentes”, pela PUC em “Teatro e Psicodrama”, pela FMU em “Dança na escola e Danças Brasileiras”, pela IEGABC em “Arte Educação e Psicopedagogia”. Ministrante de alguns cursos e palestras sobre arte-educação.
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