Sábado, 14 de Março de 2026
18°C 26°C
São Bernardo do Campo, SP
Publicidade

Feminicídio começa antes da agressão física

Por: Redação
03/03/2026 às 22h51
Feminicídio começa antes da agressão física
Quando se fala em feminicídio, a sociedade costuma enxergar apenas o desfecho: o crime consumado. A violência explícita. A tragédia estampada nas manchetes.
 
No entanto, o feminicídio raramente começa no momento da agressão física. Ele é, na maioria das vezes, o ponto final de um processo gradual de desumanização.
 
Esse processo se inicia quando a mulher deixa de ser reconhecida como sujeito autônomo e passa a ser tratada como extensão do parceiro. O controle se apresenta como cuidado. O ciúme é normalizado como demonstração de afeto. A vigilância é justificada como proteção.
 
Antes da violência física, há quase sempre violência psicológica.
 
O isolamento progressivo da rede de apoio, o controle financeiro, a desqualificação constante, a vigilância sobre rotinas e contatos, a diminuição sistemática da autoestima esses são sinais frequentemente ignorados. São formas de violência que não deixam marcas visíveis, mas produzem erosão emocional profunda.
 
Dados nacionais mostram que grande parte das mulheres vítimas de feminicídio já havia sofrido episódios prévios de violência doméstica. Isso indica que o crime não surge de forma abrupta. Ele se constrói dentro de uma lógica de poder.
 
É importante afastar a expressão “crime passional”, frequentemente utilizada de maneira inadequada. Feminicídio não é resultado de excesso de amor ou de descontrole momentâneo. Trata-se de um ato extremo vinculado à tentativa de manutenção de domínio quando a autonomia feminina é percebida como ameaça.
 
Por isso, discutir empreendedorismo feminino, liderança e autonomia financeira não é apenas um debate econômico ou social. É também uma discussão sobre prevenção.
 
Mulheres com independência financeira e acesso à informação tendem a reconhecer sinais de abuso com maior clareza e possuem mais condições de romper ciclos violentos.
 
A prevenção ao feminicídio exige atuação em diferentes frentes:
• educação sobre relações saudáveis desde a infância;
• fortalecimento de políticas públicas de proteção;
• ampliação da rede de apoio;
• e enfrentamento cultural da naturalização do controle masculino sobre a vida feminina.
 
É necessário mudar a pergunta que frequentemente se faz após um crime: “Por que ela não saiu?”
 
A pergunta estrutural é outra: “Por que ele acreditou que podia controlar?”
 
O enfrentamento do feminicídio começa antes da agressão física. Começa na cultura, na educação, na construção de autonomia e no reconhecimento de que relacionamento não é sinônimo de hierarquia.
 
A mudança não acontece apenas no momento da denúncia. Ela começa muito antes quando a sociedade deixa de normalizar o controle e passa a reconhecer seus primeiros sinais.
 
Thainara Morales Andretta 
Empresária , Mãe e especialista em Neurodesenvolvimento & Liderança em Saúde e Educação 
Mestre | Doutoranda🧠
ABA • OBM • Neurociências
Palestras|Consultorias|Cursos 

 

Foto

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Violência doméstica Há 3 dias

Guardiã Maria da Penha de São Bernardo avança no combate à violência doméstica e registra 8ª prisão em 2026

No Dia Internacional da Mulher, homem foi detido no Santa Terezinha após agredir a companheira e violar medida protetiva

Segurança Há 6 dias

Em São Bernardo, Operação Bairro Mais Seguro da GCM amplia presença preventiva na região do Taboão

Atuação orientada por dados mobiliza equipes por três dias em Rudge Ramos, Paulicéia, Taboão e Jordanópolis, com foco em reforçar a sensação de segurança da população e inibir práticas criminosas

Segurança Há 2 semanas

Operação Bairro Mais Seguro amplia atuação preventiva da GCM de São Bernardo em áreas do Centro expandido

Ação mobiliza 28 guardas e 14 viaturas, além da região central, na Vila Marlene, Baeta Neves, Nova Petrópolis, Vila Gonçalves e Vila Euclides para ampliar a sensação de segurança e prevenir crimes

Opinião Há 2 semanas

O “Inquérito das Fake News”: investigação sem fim, um STF sem limites e a ameaça à liberdade de expressão

Segurança e Justiça Há 4 semanas

“Indenização a órfãos de feminicídio prevista em Pacto Nacional é divisor de águas no enfrentamento deste tipo de crime”, analisa promotora do MP-SP

Reparação financeira a vítimas indiretas está no rol de medidas que visam ao combate à violência contra mulheres no Brasil; Celeste Leite dos Santos, que também é presidente do Pró-Vítima, participou do lançamento do programa, em Brasília-DF