
Ivo Aparecido Franco
Mestre Ariano Suassuna diria “se eu chamar John Lennon de gênio, o que sobra para Leonardo Da Vinci”¿ É, as palavras tem valor. Lembrei disso por esses dias, quando assisti uma mesa redonda a discutir a razão do fracasso do Palmeiras.
Tenho alguns alunos palmeirenses e falei a eles: “como corinthiano estou muito feliz, mas como professor, sou obrigado a admitir que o projeto do Palmeiras é, sem dúvida, vitorioso".
Custou muito para todo mundo entender, por exemplo, que Barbosa e o lateral Bigode foram heróis em 1950, não vilões. A ficha do povo brasileiro tão orgulhoso do futebol, só foi cair em 2014 no maracanasso. Aquilo sim uma vergonha. Mas deixa quieto.
Será no Maracanã, meus amigos, a semifinal entre Cruzeiro e Corinthians. Tudo o que o Timão precisa fazer é não ser goleado como foi a seleção 71. Tomar poucos gols seria o primeiro passo. Mas a meu ver existe algo que é preciso observar com bastante cautela.
O Cruzeiro tem duas jogadas principais: cruzar a bola na área e chutar de longe. Pelo que pude ver, a principal jogada da equipe mineira ocorre pelas laterais do campo, existe é claro uma grande expertise em fazer isso bem feito. Conhecer a principal característica do adversário é um passo, o segundo é saber como marcar. O terceiro e fundamental é conseguir marcar, basta lembrar que Garrincha sempre saía para o mesmo lado, o digam os Joões que ficavam no chão humilhados, apesar de conhecerem-no. Por isso, se fosse Dorival Júnior, entraria com aquela marcação dobrada de Angileri e Matheus Bidu. Daria um jeito de fechar o lado direito também. Feito isso, o Cruzeiro ficaria bastante limitado.
Daí, o leitor pode pensar que vou dizer o que estou prestes a dizer porque sou Corinthians e talvez até seja isso: o Corinthians, com todas as limitações é muito mais imprevisível que a equipe de Minas, só precisa ter foco. Aí o leitor tão viciado em futebol quanto eu pode perguntar: por que então o Corinthians não está nas cabeças do brasileirão¿
Aí entra o fator Maquiavel: se você fosse jogador do Corinthians, sabendo que o Memphis Depay vai ganhar cinco milhões por mês e correr menos que os outros jogadores, o que você faria¿
Quando se fala em equipes, o coletivo deveria sobressair o fator individual, a não ser em casos muito especiais. Cruiff era estrela da Holanda, mas o coletivo estava em primeiro lugar. Pelé era astro na equipe de 70, mas o espírito de equipe estava preservado. No Corinthians, parece que o povo está meio de má vontade, sempre um tom abaixo da nota que poderia tocar, jogando muito morno. Por tudo o que já vi, não resta dúvidas de que Depay é um craque, que Yuri Alberto é um bom jogador, apesar de alguns lances absurdos e que o Garro é um meia decisivo. Só que à distância parece uma equipe que está numa zona de conforto, enquanto o Cruzeiro vem com sangue no olho. A gente não vê o Cruzeiro fazer um gol como aquele que Depay fez contra o São Paulo, ou então alguém dar uma assistência tão boa quanto fez o Gui Negão, não lembro qual jogo. Tem muita acomodação e excesso de politicagem no time paulista, mas a qualidade existe.
Acho que se a equipe de São Paulo conseguir fechar bem os flancos nas duas partidas e levar poucos gols no primeiro jogo, irá se classificar. Vou apostar no Timão. Como disse, eu no lugar de Dorival exploraria os contra ataques pelas laterais, já que os mineiros vão se projetar bastante por ali. Acho que ao final dos dois jogos, se jogar com força de vontade, dá Corinthians, por ser menos previsível. Se pudesse escalar o coringão amanhã seria assim:
Manuel Neuer; Philipp Lahm, Jerome Boateng, Mats Hummels (Per Mertesacker), Benedikt Hoewedes; Sami Khedira (Julian Draxler), Toni Kroos, Bastian Schweinsteiger; Mueller Thomas, Mesut Ozil; Miroslav Klose (Andre Schurrle)