Domingo, 14 de Dezembro de 2025
19°C 27°C
São Bernardo do Campo, SP
Publicidade

A taxação no Brasil e o risco ao crédito habitacional

Por: Redação
25/06/2025 às 16h04
A taxação no Brasil e o risco ao crédito habitacional

Deputado Federal Fernando Marangoni (União Brasil-SP)

Garantir o acesso à moradia é proporcionar dignidade. E, para que o direito à casa própria se concretize para milhões de famílias brasileiras, é essencial preservar e fortalecer os instrumentos que viabilizam o crédito habitacional.

Neste contexto, a proposta do Governo Federal de tributar instrumentos que hoje são isentos e fundamentais para o setor imobiliário – como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) – como forma de compensação à revogação do decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), representa um retrocesso significativo para o Brasil.

Tais mecanismos foram criados com um objetivo claro: atrair investidores para o financiamento de longo prazo em searas essenciais, como a Habitação. Com a isenção do Imposto de Renda (IR), os títulos se tornaram ferramentas eficientes de captação de recursos, permitindo condições mais acessíveis ao consumidor final. Num País com taxas de juros historicamente elevadas, essa arquitetura de financiamento é imprescindível.

Atualmente, as LCIs representam cerca de R$ 400 bilhões em captação. Este volume é essencial para sustentar o crédito destinado às famílias de classe média, público que não está amparado pelos subsídios do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou pelo programa Minha Casa, Minha Vida - responsável por parcela significativa da arrecadação tributária do Brasil.

No caso específico das LCIs, a proposta de taxação por parte da União de 5% nos rendimentos pode gerar aumento estimado de até 0,7 ponto percentual nas taxas de financiamento imobiliário, segundo levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O impacto será direto na ponta: parcelas mais altas, exigência de maior valor de entrada e, em muitos casos, o adiamento ou a inviabilização do sonho da casa própria. A sinalização é grave e exige resposta política firme diante do risco concreto de afastar milhares de famílias do acesso ao crédito habitacional formal.

O Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais (Secovi) de São Paulo também se manifestou de maneira contundente contra a proposta, alertando que a medida atinge em cheio a classe média, público que já enfrenta crescentes dificuldades de financiamento.

Os reflexos da tributação se espalham por toda a Economia. A Construção Civil mobiliza dezenas de cadeias produtivas, impulsiona o emprego e responde rapidamente a estímulos de crédito. Ao encarecer os financiamentos, a medida em discussão não apenas afeta o comprador, mas, também, pode comprometer o ritmo de novos lançamentos, paralisar projetos e gerar efeitos adversos sobre o crescimento econômico.

É hora de parar de empurrar o problema fiscal para cima dos cidadãos e das empresas. O compromisso com o equilíbrio econômico do País deve ser, sim, uma prioridade – mas com justiça. Não se pode aceitar que o custo da ineficiência pública seja pago com juros pela população que mais precisa de moradia, de crédito e de oportunidades. A resposta do Parlamento precisa ser clara: "sim" à responsabilidade fiscal - porém, com coragem para reformar o Estado, e não para punir o contribuinte.

Fernando Marangoni (União Brasil) é deputado federal por São Paulo e presidente da Frente Parlamentar de Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (FPHDUS). Advogado, é doutor em Ciências Sociais e Jurídicas, pela Universidad del Museo Social Argentino; tem LLM (mestrado) em American Law System, pela Washington Law University; e é especialista em Direito Tributário, pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET). Foi secretário-executivo de Habitação do Governo do Estado de São Paulo; e secretário de Habitação e Regularização Fundiária da Prefeitura de Santo André-SP.

Foto

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Feirão de Empregos Há 2 dias

Feirão de Empregos de Natal de São Bernardo acende esperança por emprego como presente de Natal antecipado

Ação realizada na manhã desta sexta-feira (12/12) no Ginásio Poliesportivo ofertou mais de 7.500 vagas, com salários que variavam entre R$ 1.500 e R$ 7 mil

Dicas da sabor Há 2 semanas

Cotada a R$ 0,94/kg, menor preço dos últimos 12 meses, a abobrinha italiana é o destaque da semana (01 a 05/12) no atacado da CEAGESP

São Paulo (02/12/2025) - Semanalmente, a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) prepara uma lista de produtos no atacado com tendência favorável, estável ou desfavorável para compra. Confira!

Empregos Há 2 semanas

Grande ABC gera 1.162 vagas formais em outubro e ultrapassa 26 mil novos empregos em 2025

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego foram organizados em boletim regional pelo Consórcio ABC e pela Agência de Desenvolvimento

Dicas da sabor Há 3 semanas

Cotado a R$ 1,59/kg, tomate Pizzad'oro é o destaque da semana (24 a 28/11) no atacado da CEAGESP

São Paulo (25/11/2025) - Semanalmente, a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) prepara uma lista de produtos no atacado com tendência favorável, estável ou desfavorável para compra. Confira!

Dicas da sabor Há 4 semanas

A R$ 2,55/kg, menor preço nos últimos três meses, limão taiti é o destaque da semana (17 a 21/11) no atacado da CEAGESP

São Paulo (18/11/2025) - Semanalmente, a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) prepara uma lista de produtos no atacado com tendência favorável, estável ou desfavorável para compra. Confira!