
Professora Renata Saggioro Silva
Parafraseando os cantores: “Antigamente nem em sonhos existia cada ponte sobre os rios, nem asfalto nas estradas... Mas hoje em dia tudo é muito diferente, com o progresso nossa gente nem sequer faz uma ideia...”
Certa noite, aqui no prédio onde moro, apareceu um morcego de 40 centímetros na casa de uma vizinha que mora no décimo nono andar. Como ele entrou? Por onde? Ninguém sabe. Mas ela colocou no grupo de whatsapp e todo mundo respondeu que tem medo, queria dar palpites, só que ninguém se prontificou a ajudar.
Sabe quem foi buscar o bichinho, assustado, mais que a moradora? A síndica: uma mulher corajosa. Tanto machismo, tantos homens no grupo e ninguém teve a decência de socorrer a moça, que estava sozinha no apartamento e com medo do animal (que pode transmitir raiva e outras doenças).
Fico me perguntando o que aconteceu com este planeta e com as pessoas? Tanto progresso, tantas inovações, tanta tecnologia, mas de nosso vizinho ao lado, de porta, muitas vezes não sabemos nem o nome.
Antigamente nossos vizinhos eram referência de educação, respeito, compromisso, mas principalmente de amizade e solidariedade. Não tínhamos a facilidade e a agilidade das redes sociais, dos grupos de whatsapp, mas podíamos contar com eles para levar as crianças à escola, emprestar uma xícara de açúcar, trocar uma conversa ou jogar cartas.
Atualmente vejo aqui no condomínio, gente que entra no elevador junto ou depois da gente e não tem coragem de cumprimentar. Dar um “bom dia” , “boa tarde”... ou segurar a porta para que o vizinho suba junto.
Todos nós precisamos uns dos outros para sobreviver, para viver neste mundo cheio de obstáculos.
Fiz um curso uma vez, pela Editora Palas Atena, em São Paulo, que se chamava “Valores que não têm preço”. Lá, muitos cientistas, pesquisadores e professores renomados nos ensinaram que, de acordo com pesquisas de historiadores e arqueólogos, é sabido que na época da pré-história, quando os homens viviam em cavernas, para sobreviver precisavam mudar de lugar, caçar, coletar, e estar em grupos para se defenderem dos animais ferozes, das intempéries. Vagavam pelo mundo em busca de sobrevivência e, quando raras vezes encontravam-se com outros grupamentos, era tanta alegria que faziam uma festa tão imensa e calorosa que conseguiam escalar (sabe-se lá como, com tanta precariedade) as paredes das cavernas, fazendo desenhos incríveis para registrar o encontro, muito celebrado entre todos. Uma arte esplendorosa que retratava as pessoas e os animais em comunhão, felizes. A arte do encontro foi denominada pela nossa cultura como arte rupestre.
Outro ‘achado’ interessante nesses estudos, foi que a maioria das pessoas dessa época, por conta de tanto sofrimento para sobrevivência, morria em torno dos 20 anos, mas encontraram atualmente a ossada de um ser humano que tinha “artrite reumatóide” e viveu por mais de 30 anos, mesmo sem nenhum tipo de remédio ou tratamento médico, sendo auxiliado e, muito provavelmente, carregado pelas pessoas de sua comunidade. Eram, portanto, extremamente cuidadosos com este ser humano.
As mulheres eram as cuidadoras das crianças, mas tinham que plantar e ficar atentas à invasão de animais, enquanto os homens saíam para caçar. Por esse motivo, para fazer tantas coisas, ter tantas responsabilidades, o cérebro da mulher funciona, desde aquela época, dos dois lados ao mesmo tempo, enquanto os homens “focam” numa tarefa por vez (que era o objetivo essencial para caçar, sua única fonte de subsistência. E jamais existiu aquele estereótipo do desenho em que os homens batiam com a clava nas mulheres e as puxavam pelo cabelo, pois as mulheres sempre foram sagradas: tinham (e têm) o poder de gerar vida. As mulheres se uniam a outras mulheres para cuidar da sua comunidade (hpje conhecemos como “sororidade”).
Ao longo do tempo, as pessoas, as comunidades evoluíram, inventaram a roda, a viagem à lua... mas os doentes, os idosos, os deficientes, as crianças e todos os mais vulneráveis geralmente são deixados de lado, abandonados (pelas instituições, pelos governantes, pelas próprias famílias); o feminicídio tem aumentado (pesquisas mostram que no Brasil todos os dias morrem cerca de 4 mulheres por minuto, assassinadas por seus companheiros). Pais, mães e familiares, ao invés de brincarem com seus filhos, oferecem celular, tablet, televisão... ao invés de conversa, carinho, amor... não é à toa que tem aumentado o índice de ansiedade, obesidade, depressão e suicídio entre crianças (bem pequenas) e jovens. Não é à toa que o governo brasileiro (e muitos outros países) proibiram o uso do celular nas escolas, já que é uma ferramenta de altíssimo malefício ao cérebro.
Hoje, seres humanos passam fome nas ruas (inclusive crianças), há crueldade com os animais, povos inteiros dizimados com doenças, maus tratos, invasões (genocídio anunciado, planejado), principalmente os povos originários (indígenas). Pais e mães expulsam filhos de casa (por serem gays, mesmo sabendo que não é uma doença e sim uma característica da pessoa, e comprovadamente, algo genético).
Falamos de sustentabilidade: reciclar, reduzir, repensar e reutilizar, enquanto gente escrota joga lixo pela janela da própria casa, no próprio condomínio. (Entendo que, infelizmente, cada um dá o que tem, mas isso é bem aterrorizante pensando que estamos falando de seres pensantes)
Resgatemos as coisas boas de nossa infância, de nosso aprendizado enquanto seres humanos, que nos fazem ter HUMANIDADE: solidariedade, compaixão, amor..., seja por quem for. Já dizia Jesus há mais de 2 mil anos atrás: “amai ao próximo como a ti mesmo”. Amar seu filho perfeito é fácil, mas amar o mendigo, o cego, o pobre, o doente é difícil. Nos dias atuais é mais fácil julgar, excluir, diminuir, afastar, marginalizar.
Comece então pelo seu vizinho, pelo seu condomínio: ofereça ajuda. O máximo que pode acontecer é a serotonina do seu corpo aumentar e você exalar felicidade.
Morcegos, ratazanas, cobras E HUMANOS, fica a reflexão: quem é quem?
É bom lembrar (ou saber, pra quem não sabe)
???? Cavalheirismo é sempre bem vindo, independente de você ser homem ou mulher.
???? “Gentileza gera gentileza”, já dizia o Profeta. Um dia você pode precisar ‘do outro’ também.
???? Respeito e educação é sempre bom, e todo mundo gosta.
SAIBA MAIS
Brito, Marcela.Quem foi o Profeta Gentileza?Disponível em https://pt.linkedin.com/pulse/quem-foi-o-profeta-gentileza-marcella-brito