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Um clássico taxado de beberrão

A História do Ford Maverick

19/06/2021 23h34
Por: Redação
Maverick, amado por muitos
Maverick, amado por muitos

O Ford Maverick, surgiu nos EUA, em 1969, concebido para combater a invasão de europeus e japoneses no mercado americano, foi considerado o “anti-fusca”, como o modelo que tiraria compradores da Volkswagen.

No período em que o carro alemão foi planejado, suas vendas cresciam a passos largos, com vendas superiores a 300.000 unidades anuais, e em 1968 chegavam a quase meio milhão, era o início da invasão de carros baratos, de fácil manutenção e muito mais práticos no dia-a-dia. Foi nesse cenário que, em 17 de abril de 1969 surgiu o Ford Maverick. A receita era simples: um carro compacto de manutenção simples e barata, fácil de manobrar. Com aparência inspirada no Mustang, pois a ideia era identificá-lo como um carro para a família, prático, moderno e econômico, com um leve toque esportivo. Em seu primeiro ano vendeu 579.000 unidades – quase 5.000 a mais que o Mustang em seu primeiro ano de vendas.

Sonho de muitos Mavecão V8

Na época no Brasil existiam dois modelos Ford, e claro dois modelos de sucesso, o bom e velho Corcel e o luxuoso Galaxie. Só que entre o popular e o luxuoso havia um espaço a ser preenchido. Esse espaço aparentemente estava ocupado pelo Aero-Willys e Itamaraty (versão luxuosa do Aero), que já estavam ficando ultrapassados e fora do estilo da época, sem contar os inúmeros problemas mecânicos deixando a desejar e abrindo uma brecha no mercado.

Aero-Willys e Itamaraty saíram de sena

A briga por um mercado de populares de médio porte (confortáveis mais econômicos) estava começando.

A Chrysler desenvolvia o Dodge 1800 (Dodginho). A Volkswagen preparava um “fusca quadrado” que se chamaria Brasília, além de uma aposta alta no Passat, que em tese mudou o mercado nacional. Mais isso é outra história, que não me interessa. Pois se não for beberrão, para mim não vale nada.

Doginho Polara não dava para comparar com um Maverick

A Ford preparou uma pesquisa que por sinal teve por resultado uma das ações mais estranhas da história do marketing automobilístico nacional. A Ford definiu seu público-alvo, e utilizando quatro veículos, todos brancos e sem qualquer identificação quanto ao nome e fabricante, sendo eles: um Opala, um Corcel, um Maverick norte-americano e um Ford Taunus europeu, tentou identificar qual seria sua meta de trabalho. A pesquisa elegeu o Taunus, e este traduzia os desejos de consumo daquele público acostumado com os padrões de conforto e economia dos veículos europeus.

Quase o Taunus vem para o Brasil no lugar do Maverick

Ótimo, mãos à obra e aos problemas. O Taunus exigiria um motor, que só seria possível em 1975, com a conclusão de uma outra fábrica. A suspensão traseira, independente, era bem mais moderna que a de eixo rígido do Aero/Itamaraty. A adaptação do Taunus ao nosso mercado começou a se mostrar inviável. O tempo era curto e a competição seria acirrada. A ideia era utilizar ao máximo os componentes do velho Aero. A pesquisa foi posta de lado e para surpresa dos profissionais de marketing e estratégia, a empresa optou por lançar o Maverick.

Painel do Maverick V8

Os objetivos maiores da empresa falaram mais alto, que eram a urgência e economia de investimentos.

Começaram os problemas. Alguns motores de seis cilindros 3,0 litros do Aero-Willys “derreteram” em testes devido ao sistema de arrefecimento mal dimensionado e ineficiente. A lubrificação deu problema e foi necessária uma nova bomba de óleo com sentido trocado, ou seja, no bombeamento o óleo era sugado dos mancais para o cárter… Sanados os problemas, e com mais uma “passagem” externa de água para o sexto cilindro, lançaram o Maverick em junho de 1973, que por sinal era igual ao modelo americano de 1970.

As versões lançadas foram a Super e Super Luxo. Logo apareceu a versão esportiva GT com motor V8 importado, de 4,95 litros, a qual saia de fábrica, com pintura metálica e direção hidráulica como únicos opcionais. Além das faixas pretas e o novo motor, tinha tantos (ou quase tantos) cromados quanto as outras versões. Tinha seus problemas: freios traseiros com tendência ao travamento das rodas e radiador subdimensionado para o clima tropical (padrão dos Maverick´s).

 

Motor V8 do Maverick, muito forte!!!

 

Nos testes no Brasil, o “capô do motor V8” chegava a abrir e era jogado de encontro ao “para-brisa. Dai os GTs sairem com pequenas presilhas no capô. Apesar da baixa taxa de compressão do primeiro motor, 7,5:1, o desempenho era bastante bom para a época: aceleração de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos e 178 km/h de velocidade máxima. Como comparação, o velho “seis bocas” chegava a gastar quase 30 segundos na aceleração e mal chegava na marca de 150 km/h. Ao final do mesmo ano chegava o Maverick de quatro portas, oferecendo mais espaço aos passageiros de trás por conta de entre eixos mais longo, mas não agradou ao público.

Capô do Maverick V8 com travas extras para não voar

Resolvido o velho problema do radiador, o GT e as outras versões, equipadas opcionalmente com o V8, atingiram vendas significativas, o esportivo chegou a 2.000 unidades no primeiro ano e mais de 4.000 no segundo.

 

Os concorrentes não chegaram sequer perto em questão de vendas.

Na época eram o Opala 6cc e os Dodge Dart e Charger RT, equipados com V8 308.

 

O Maverick “seis bocas” foi realmente o desastre, pois era mais pesado que o Opala e seu desempenho era próximo de qualquer quatro-cilindros (andava como o 4cc e bebia como o V8). Mais vale ressaltar que o motor 06 cilindros era muito silencioso.

 

O V8 era a resposta aos concorrentes. Até chegar a crise do petróleo no final dos anos 70, uma ameaça ao bolso dos consumidores. Como o seis “bocas” bebia como um V8 e andava praticamente como quatro cilindros, o Maverick ganhou fama de Beberrão, e foi caindo em desgraça.

Em 1976 a Ford realizou uma remodelagem e lançaram o Maverick LDO com a versão de quatro cilindros, um motor mais econômico e compatível com a realidade econômica do Brasil.

O fim da lenda

Em 1979 a Ford anunciou o fim da fabricação do Maverick. A queda nas vendas e o surgimento do Corcel II encurtaram a vida do esportivo, que vendeu cerca de 108 mil exemplares no Brasil.

 

Mesmo com um ciclo curto no Brasil, o Maverick marcou uma geração de motoristas, que ainda hoje mantém o respeito por um dos grandes modelos que já rodaram pelo Brasil.

 

Se você tem alguma história envolvendo o Maverick, compartilhe-as nos comentários e ajude a reviver a memória do Maveco!

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